Quando a Montanha se Revela

Ao montar acampamento no Pico Itapiroca, não imaginávamos que aquele entardecer nos proporcionaria uma vista tão surreal.

Estávamos diante de alguns gigantes da Serra do Ibitiraquire: o Pico Paraná, com 1.877 m; ao lado, o Pico Caratuva, com 1.860 m; e o próprio Pico Itapiroca, com 1.805 m.

Naquela tarde, a luz do sol iluminava o Pico Paraná de uma forma única, enquanto as sombras do Caratuva e do Itapiroca se projetavam aos seus pés. Era quase um prenúncio do que nos esperava no dia seguinte: um bate-volta até o cume do Pico Paraná.

E há um detalhe que torna essa montanha ainda mais especial: com 1.877 m, o Pico Paraná não é apenas o ponto culminante do estado do Paraná, mas também o ponto mais alto de toda a região sul do Brasil.

A subida até o cume é constante e exigente, com trechos de escalaminhada e vias ferratas que acrescentam um pouco mais de aventura ao percurso.

No retorno, tivemos outra surpresa. Conseguimos avistar o Pico Itapiroca e o nosso pequeno acampamento, em meio à Mata Atlântica. Ao lado, avistamos também o Cerro Verde e, mais ao longe, as encostas rochosas dos Picos Tucum e Camapuã.

É uma perspectiva diferente da montanha: depois de caminhar por horas por suas trilhas, olhar para trás e enxergar o lugar onde estamos acampados.

Todas essas montanhas fazem parte da Serra do Ibitiraquire, no Paraná, uma das regiões mais importantes do montanhismo e trekking na região sul do Brasil.

As trilhas exigem bom preparo físico, principalmente pelos trechos íngremes, desníveis e características do terreno.

Os principais pontos de acesso e apoio são as Fazendas Pico Paraná e do Bolinha.

Os Irmãos Cortez – Monumento Natural Pedra do Baú

Uma verdadeira obra esculpida pela natureza. A bela formação rochosa encravada no alto da serra da Mantiqueira ressalta um granito imponente. Merece destaque a estória de seus desbravadores.

Já passados 80 anos do grande feito de Antônio e João Teixeira de Souza, conhecidos como os irmãos Cortez, ao atingir o topo da pedra em 12 de agosto de 1940.

Pela face Sul os irmãos desbravaram o paredão de 340 metros de altura, subindo pelas fissuras, entre vegetação e rocha nua. Alcançaram o topo com ajuda de troncos de árvores e muita coragem. Um feito inédito para o montanhismo brasileiro.

Logo que o empresário Luiz Drumond Villares foi levado ao topo pelos irmãos Cortez, ele ficou tão encantado com a beleza que financiou a construção das vias ferrata e um refúgio de montanha.

Então, em 1943 os primeiros grampos de ferro e escada de pedra foram instalados na face Sul (lado de Campos do Jordão), facilitando o acesso de outras pessoas.

Depois um refúgio de montanha foi construído e entregue em 1947. Foram quase dois anos de obra devido à dificuldade ao transportar os materiais até o topo.

Infelizmente o refúgio sofreu vandalismo ao longo dos anos e na década de 80 havia apenas a chaminé da lareira. Atualmente sobraram apenas os alicerces.

Na foto acima, a Pedra do Bauzinho (aparece uma pontinha a esquerda), a Pedra do Baú (ao centro) e a Pedra Ana Chata (a direita). Em 2010, o Complexo da Pedra do Baú foi constituído em Monumento Natural Pedra do Baú.

Local: Campos do Jordão e São Bento do Sapucaí / SP