Os Três Sacos – Mamanguá, Fundão e Velha

“Há trechos do litoral em que o mar não apenas toca a terra — ele entra, se espalha e permanece”

No litoral sul do Rio de Janeiro, a região de Parati Mirim abriga três paraísos naturais: Saco do Mamanguá, Saco do Fundão e Saco da Velha. Um encontro perfeito entre montanhas, mar calmo e natureza preservada — com trilhas, praias escondidas e cenários que só se revelam para quem se aventura por terra ou por mar.

Saco do Mamanguá — o famoso “fiorde tropical”

O mais conhecido dos três, o Mamanguá impressiona pelos 8 km de extensão e 2 km de largura, cercados por montanhas íngremes e águas tranquilas. A água é clara na entrada e mais rasa e turva próximo ao manguezal, no fundo do “saco”.

Acesso às trilhas a partir de Parati Mirim:

  • Margem direita: por trilhas e/ou barco.
  • Margem esquerda: por barco, para então acessar as trilhas.

Um cenário perfeito para caminhar ou simplesmente contemplar.

Saco do Fundão — o mais escondido

Menos conhecido e cheio de reentrâncias, o Fundão guarda diversas praias escondidas. Algumas têm acesso por trilha — como Espada Velha e Furado — e outras somente por barco.

No fundo da enseada estão os manguezais e a foz do Rio dos Meros. Dentro do “saco”, é possível visitar as ilhas da Cotia e das Almas, enquanto que a praia de Jurumirim está localizada no lado externo da costa e o acesso é por barco e caminhada de 1 km.

Um destino para quem gosta de lugares tranquilos e pouco movimentados.

Saco da Velha — praia, gruta e águas cristalinas

Clássico nos passeios de escuna, o Saco da Velha só pode ser acessado por mar, tanto a partir de Paraty quanto de Parati Mirim. A enseada abriga uma pequena praia e a interessante Gruta do Saco da Velha, localizada na baía da Preguiça. A visita na gruta é ideal na maré baixa, quando não é preciso nadar até a entrada.

Dica: combine o passeio com uma parada na ilha dos Cocos, excelente para mergulho livre. Fica a apenas 10 minutos de barco.

Curiosidade: o que significa “saco”?

A palavra “saco”, tão presente nos nomes dessa região, também tem usos diferentes na Marinha e na linguagem popular.

1) “Saco” na geografia e navegação

Em termos técnicos, um saco é uma pequena baía ou enseada, uma porção de mar que avança para dentro da costa — exatamente como o Mamanguá, Fundão e Velha. É um termo tradicional da geografia física e da navegação costeira.

2) “Saco” na Marinha (objeto)

No ambiente naval, “saco” também é o clássico saco de marinha (sea bag), usado pelos marinheiros para transportar pertences e, claro, os impecáveis uniformes brancos da Marinha do Brasil.

3) “Saco” nas gírias

O termo ainda dá origem a expressões bem brasileiras, dentro e fora do meio militar, como: puxa-saco, encher o saco e estar de saco cheio. Uma palavra simples, cheia de significados — geográficos, culturais e linguísticos.

Roteiro: Parati Mirim – RJ.

Árvore das Mudanças

No alto da colina, uma árvore sem folhas esparrama seus galhos ao céu. Cada ramificação nua reflete luz e sombra, cores que mudam com o vento, como o mundo em ebulição, em profunda transformação. Onde as cores ardem nos olhos, a luz vem de cima. No coração da árvore há um alerta — calor, perigo, profundidade em transmutação, preparando-se para uma grande renovação, ainda retraída.

Em tempos de mudanças sociais e geopolíticas intensas, ela permanece firme. Sem adornos, mas inteira, lembrando que a força está na estrutura de seus valores — o bem contra o mal — que suporta intempéries extremas. Parece o fim dos tempos. Mas, como tantos fins anunciados no passado, este se apresenta mais turbulento e acelerado. Uma humanidade ainda adormecida na ilusão.

Mesmo despida, oferece presença e propósito, mostrando que há beleza em permanecer atento, flexível e de pé, mesmo quando tudo ao redor parece um caos absoluto.

A verdadeira árvore das mudanças se transforma a cada instante, observando os movimentos da luz e das trevas, carregada de dúvidas, mas certa de que a transformação levará a um novo alvorecer de equilíbrio e paz.

Conjunto da Obra – Uma Trilha em Perspectiva

“A caminhada se entende quando se vê o conjunto da obra”

Existem trilhas que podemos definir como verdadeiramente fantásticas pelo conjunto da obra. Isso acontece quando avaliamos, de forma integrada, todos os fatores que influenciam o grau de dificuldade em uma trilha de montanha — distância, desnível, tipo de terreno, altitude, condições climáticas, exposição a riscos técnicos, navegação, peso da mochila, duração, acessibilidade e apoio. A combinação desses elementos determina se uma trilha será classificada como fácil, moderada, difícil ou muito difícil. Por isso, é sempre importante considerar sua experiência e vivência em trilhas e montanhas antes de embarcar em uma nova aventura, seja por conta própria ou acompanhado de um profissional ou empresa especializada.

Nesta trilha em particular, todos esses fatores se somam a uma visão panorâmica de 360º de toda a região ao redor da serra e suas montanhas, fazendo dela um belo exemplo de conjunto da obra. E você, analisando os dados abaixo, qual grau de dificuldade acha que ela merece?

A caminhada foi realizada a partir do acampamento Alto dos Mirantes até a Pedra Partida, com mochila de ataque, em um dia de dezembro, entre sol e nuvens, na Serra da Mantiqueira (região Serra dos Poncianos). O trajeto fica entre os distritos de São Francisco Xavier (São José dos Campos) e Monte Verde (Camanducaia), na divisa entre São Paulo e Minas Gerais.

Foram 9 km percorridos em 6 horas de caminhada, incluindo paradas no riacho e no cume da Pedra Partida. O desnível acumulado em altitude chegou a 1.540 m, com ponto mais baixo a 1.760 m e mais alto a 2.050 m de altitude.

Logo ao sair do acampamento Alto dos Mirantes, entre as árvores, surge uma vista perfeita da sobreposição da Pedra da Onça com a Pedra Partida, um cenário que já anuncia o desafio do percurso.

No cume da Pedra Partida, ao fazer um giro de 360º partindo do Alto dos Mirantes e seguindo pela mata verde na crista da serra, é possível avistar a Pedra da Onça, Pedra do Rochedo, Pico do Selado, Pedra Chapéu do Bispo, Pedra Redonda, Pedra da Lua e Pedra de São Domingos. Todas essas montanhas podem ser exploradas por outras trilhas, seja pela serra ou a partir dos distritos.

Altimetria dos principais pontos da trilha e montanhas da região:

1.940 m – Alto dos Mirantes

1.800 m – Entroncamento SP-MG

1.950 m – Pedra da Onça

1.980 m – Pedra do Rochedo

1.760 m – Riacho

2.050 m – Pedra Partida

1.950 m – Pedra Redonda

1.960 m – Pedra Chapéu do Bispo

2.080 m – Pico do Selado

1.780 m – Pedra da Lua

2.050 m – Pedra de São Domingos