A Jornada do Eu

Em algum momento da caminhada, a trilha deixa de estar apenas diante dos nossos olhos. Talvez seja quando levantamos a cabeça e percebemos que existe uma outra jornada acontecendo – aquela que fazemos dentro de nós.

Há milhares de anos, o ser humano tenta responder à mesma pergunta:

Quem sou eu?

Sócrates nos deixou o desafio: “Conhece-te a ti mesmo.”

Descartes encontrou uma certeza: “Penso, logo existo.”

Nietzsche foi além: “Torna-te quem tu és.”

E, no Oriente, outra possibilidade surgiu: talvez o “eu” que tanto procuramos nem seja permanente. Somos feitos de mudanças, experiências, encontros, escolhas e perdas.

Talvez seja por isso que caminhar tenha tanto a nos ensinar.

Na trilha, longe da pressa, dos papéis e das aparências, o silêncio começa a fazer perguntas:

Quem sou eu quando ninguém está olhando?

O que permanece quando deixo para trás aquilo que me define?

E quem estou me tornando enquanto sigo caminhando?

Talvez não exista uma resposta definitiva.

Talvez o “eu” não seja um destino a ser encontrado, mas um caminho que se revela enquanto avançamos.

Como numa trilha, algumas respostas aparecem na subida. Outras, somente depois de uma longa caminhada.

E talvez essa seja uma das maiores jornadas da vida – não chegar a um lugar, mas descobrir, ao longo do caminho, quem estamos nos tornando.

Adamu Trekking

Caminhos que também nos levam para dentro.

Asas ao Vento – Caminhar é Preciso

Como passageiro no mundo, busco o vazio que sempre me consome. Preso as correntes da rotina, o importante é o agora.

Então a águia voa alto na esperança de tempos melhores.

Entre voos altos e tantos outros rasantes, o medo é irrelevante. Como dessa vida não se leva nada, é hora de novos olhares para desaparecer nas nuvens.

E deixar os ventos alterados para trás.

O céu nem sempre está azul. O sentimento volita em novos ares. Asas ao vento, eu quero voar. Aqui não quero ficar.

Do alto, lá embaixo é tão fútil.

O pensamento anda de mãos dadas com o bem e o mal. Atenção nas armadilhas do ego. Minha alma clama, preciso voar.

Daí encontro o pensamento no abismo do silencio para o resgate de mim mesmo.

Asas ao vento, eu quero voar. Aqui não quero ficar.