
Em algum momento da caminhada, a trilha deixa de estar apenas diante dos nossos olhos. Talvez seja quando levantamos a cabeça e percebemos que existe uma outra jornada acontecendo – aquela que fazemos dentro de nós.
Há milhares de anos, o ser humano tenta responder à mesma pergunta:
Quem sou eu?
Sócrates nos deixou o desafio: “Conhece-te a ti mesmo.”
Descartes encontrou uma certeza: “Penso, logo existo.”
Nietzsche foi além: “Torna-te quem tu és.”
E, no Oriente, outra possibilidade surgiu: talvez o “eu” que tanto procuramos nem seja permanente. Somos feitos de mudanças, experiências, encontros, escolhas e perdas.
Talvez seja por isso que caminhar tenha tanto a nos ensinar.
Na trilha, longe da pressa, dos papéis e das aparências, o silêncio começa a fazer perguntas:
Quem sou eu quando ninguém está olhando?
O que permanece quando deixo para trás aquilo que me define?
E quem estou me tornando enquanto sigo caminhando?
Talvez não exista uma resposta definitiva.
Talvez o “eu” não seja um destino a ser encontrado, mas um caminho que se revela enquanto avançamos.
Como numa trilha, algumas respostas aparecem na subida. Outras, somente depois de uma longa caminhada.
E talvez essa seja uma das maiores jornadas da vida – não chegar a um lugar, mas descobrir, ao longo do caminho, quem estamos nos tornando.
Adamu Trekking
Caminhos que também nos levam para dentro.