O Enigma da Água

Ao longo de milhões de anos de evolução, os organismos vivos se multiplicaram pela Terra… A sobrevivência de todas as espécies animais e vegetais estão intimamente ligada á água.

Esta animação O Enigma da Água mostra este ciclo da vida. Vale a pena assistir!

Vídeo: Armoria Studio

Corrida Endurance 50K – Ilhabela

A própria organização denomina esta corrida de montanha como a mais casca grossa do circuito The North Face XTERRA Endurance. Não poderia ser diferente considerando que Ilhabela apresenta um imponente conjunto montanhoso.

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Este desafio ocorreu em junho, nas distâncias de 50 e 80 km. Pela segunda vez eu e um grupo de amigos descemos a serra para mais um XTERRA. Após dezenas de semanas de treinamento havia chegado o momento. Para um simples mortal do universo da corrida de montanha, a estratégia principal seria completar o percurso de 50K dentro do tempo limite.

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A velocidade foi trocada pela força, resistência e superação dos incontáveis obstáculos, como subidas, descidas, paralelepípedos, estrada, terra, trilhas na Mata Atlântica da Serra do Mar e areia das praias do Perequê e Castelhanos. Tudo isso envolto numa noite nublada com a lua cheia tentando aparecer no céu. Por sorte não tivemos chuvas como aquelas do ano passado. Uma corrida de alto nível técnico.

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Na distância dos 80 km, um amigo quase perdeu a largada pois foi antecipada para o período da manhã devido à probabilidade de chuvas, que não se confirmaram ao longo do dia. Aos demais restou a preparação e espera até as quatro horas da tarde. Para uma amiga havia ansiedade de ser estreante e para outros nada melhor que um bom cochilo antes da prova.

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Em menos de duas horas a corrida dentro da mata antecipou a escuridão. Neste tipo de prova existem outros obstáculos a serem superados. Além do físico, o mental precisa ser trabalhado para que os medos sejam controlados e que os pensamentos não sabotem a mente. E o que seria dos atletas sem uma lanterna de cabeça…

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Segundo a organização, no Endurance 50K largaram quase 200 atletas e 144 completaram o percurso dentro do tempo limite de 10 horas. Na distância de 80K largaram uns 80 atletas e apenas 33 completaram o percurso dentro do tempo limite de 14 horas. Realmente uma prova para poucos.

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Cruzar a linha de chegada foi a maior vitória! Agradeço e parabenizo meus amigos e a todos que conseguiram finalizar a prova. Cada um chegou ao seu limite, nas dores, até lágrimas, mas repleto de alegria pelo desafio superado. Celebração, abraços e ótimas lembranças. Seguramente fomos imbuídos de uma proteção especial durante todo aquele final de semana e a certeza de uma vivencia marcada para sempre em nossas memórias.

Fotos: Wladimir Togumi.

Liberdade de Escolha

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“Nós temos total liberdade de escolha. Por que você é levado em sua vida pela criatura viva interior, o seu ser espiritual brincalhão que é o seu ser verdadeiro. Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles. Você está sempre livre para mudar de ideia e escolher um futuro, ou um passado diferente.”

Richard Bach

Entre Vales e Picos – Caminhar é Preciso

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Numa travessia os dias são longos e as noites são um descanso profundo. A jornada exige atenção e celebração, seja pela beleza do caminho ou simplesmente pela missão cumprida.

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Em uma destas longas caminhadas, depois de uma noite gelada, amanheceu ensolarado e a ventania indicava boas condições climáticas. Logo no segundo dia, um amigo já demonstrava certa preocupação pela jornada que se iniciava. Então começamos a trilha e em alguns momentos, algumas palavras de incentivo eram pronunciadas ao vento, como sem sentido, despretensiosas e alegres.

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Alguns achavam estranho aquele comportamento, mas ao longo do dia isso fez toda diferença e chegamos ao destino planejado. Logo após o jantar, este amigo me procurou e comentou que achava que não conseguiria se não tivéssemos agido como cada um zelando pelo outro. Algo me dizia que ele conseguiria. Tinha preparo físico, mas faltava confiança e naquele momento a mente dele jogava contra.

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A confiança é a essência de um processo do autoconhecimento, é a semente que germina dentro de nós para alcançar aquilo que buscamos. Se dentro de nós não tivermos esta certeza, os resultados não serão atingidos e desistiremos diante do primeiro obstáculo. Entre vales e picos os obstáculos são gigantescos diante da mãe natureza. Se a pensamento solto dominar nossa essência, seremos escravos de uma existência sem significado.

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Respirar profundamente e sentir o batimento cardíaco. Estar vivo agora! Este instante e nada mais! Esta jornada por si só já é uma grande benção. Na ansiedade da vida moderna ficamos cegos e deixamos de nos sentir vivo. Na caminhada podemos observar se alegria e serenidade fazem parte da jornada. Se não, estamos nos distanciando da nossa essência espiritual. Quando estes sentimentos estiverem presentes em nosso dia a dia, a caminhada terá um significado maior onde o ego e a mente não terão poder sobre o nosso verdadeiro Ser.

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” Como a primavera, época primeira que antecede o verão, onde as borboletas e abelhas voam de flor em flor em busca do néctar das flores, que a busca pelo conhecimento de si seja como um néctar doce e rico de confiança. “

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Que venha a próxima travessia. Boa semana!

Parque Nacional da Serra da Bocaina

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Percorrer os caminhos da Bocaina é voltar na história e cultura da interiorização no Brasil. Os caminhos e trilhas estão dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina (PNSB), criado em 1971, localizado nos municípios de Areias, São José do Barreiro, Cunha e Ubatuba em São Paulo, Paraty e Angra dos Reis no Rio de Janeiro.

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No início apenas uma trilha indígena. Entre o final do século XVII e início do XIX, com o ciclo do ouro, o caminho se tornou rota das riquezas trazidas do interior de Minas Gerais.

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Ao longo do século XIX com o desenvolvimento do ciclo do café no Vale do Paraíba, foram construídos, pelos escravos, calçamento, pontes e benfeitorias. Hoje este calçamento de pedra representa um atrativo histórico na Trilha do Ouro.

Este apoio aos tropeiros e suas tropas de mulas, facilitava tanto o escoamento do café como trazia mercadorias serra acima. O declínio desta rota ocorreu na década de 1870 com o transporte do café por ferrovia, e depois com a abolição da escravidão em 1888.

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Hoje em dia o grande atrativo é a natureza, espalhada num grande corredor ecológico da serra ao mar. Da restinga no litoral, floresta tropical, despenhadeiros, grotões e campos nativos até o ponto culminante a 2.088 m de altitude no Pico do Tira Chapéu.

Abriga animais de grande porte como o mono-carvoeiro, macaco-prego, bugio, tamanduá-mirim, capivara, veado-mateiro, lobo-guará, onça pintada e uma rica ave-fauna como os guanambis. Tudo isso mergulhado num clima úmido e quente podendo chegar a 0º C no inverno.

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As paisagens inconfundíveis da Serra da Bocaina diferenciam claramente da Serra do Mar. Numa imensidão de morros esverdeados entre araucárias e pinheiro-bravo entrecortados por nascentes de águas cristalinas que se avolumam em riachos, cachoeiras e rios caudalosos até o encontro com o mar.

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Os principais atrativos naturais na Serra da Bocaina são as cachoeiras Santo Isidro, dos Mochileiros, das Posses, do Veado, rio Mambucaba, Pico do Tira Chapéu, Pedra da Bacia e o Caminho de Mambucaba (oficial), também conhecida como Trilha do Ouro, que sai de São José do Barreiro (SP) até o sertão de Mambucaba (RJ), litoral entre Paraty e Angra dos Reis.

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Certamente estes caminhos contribuíram para a integração da cultura caipira e tropeira do Vale do Paraíba com a cultura caiçara do litoral de Paraty.

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Local: São José do Barreiro / SP

Tempo de Travessia

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“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

Fernando Pessoa

Praia do Aventureiro – Ilha Grande

Saindo da praia de Araçatiba e após atravessar a praia Vermelha iniciei uma subida constante. Tentava manter um passo cadenciado apesar do coração acelerado e respiração ofegante. O suor escorria pelo rosto e o pensamento buscava por mais oxigênio.

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Em alguns minutos de descanso…. A mata antes em silêncio se agitava numa sinfonia de sons. A vegetação tropical, quente e úmida, exalava aromas indescritíveis em meio ao contraste da luz matinal. Corpo e mente vivenciando a sutileza da energia da vida. Um gole d’água era motivo de muita satisfação. A beleza das coisas simples em instantes de puro prazer de observação.

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A descida percorreu um caminho aberto até a vila e praia de Provetá. Após um breve descanso, procurei o próximo morro que indicava a trilha em direção a vila e praia do Aventureiro. O caminhar foi lento sob os olhares incrédulos dos caiçaras que construíam um barco. Do alto, uma bela visão das embarcações repousando naquela tranquila enseada. Na orla da praia um bando de urubus com asas abertas corria contra o vento. Tudo para me distrair com aquele morro que nunca parecia terminar.

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Atingi a crista do morro em quase uma hora de subida. No caminho de descida a mata escondia a belíssima praia do Aventureiro e as poucas casas das pessoas que viviam naquele canto da ilha. Chegando a praia avistamos o momento em que pescadores arrastavam uma grande rede de pesca à beira-mar.

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O acampamento no alto do morro nos privilegiou com um amanhecer espetacular!

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Entre dezenas de trilhas, aquela me levou a um dos vários paraísos de Ilha Grande. Um lugar tranquilo de praia de areia fina, cingida por um mar azul oceânico. A única agitação vinha dos ventos e das ondas.

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Pico das Agulhas Negras – Parque Nacional de Itatiaia

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O Pico das Agulhas Negras é um dos cumes mais alto do Brasil a 2.792 metros de altitude. Em Tupi Guarani, Itatiaia significa pedras pontiagudas que representam o formato de agulhas.

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Saindo bem cedo sentido Rio de Janeiro, desviamos na Garganta do Registro e seguimos por estrada de terra. A partir desde ponto a paisagem se transforma. As matas dão lugar aos campos de altitude formado por rochas e vegetação rasteira.

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Um lugar especial repleto de montanhas cuja temperatura no inverno chega facilmente abaixo de zero. Em junho de 1985 ocorreu algo inusitado, uma intensa e memorável precipitação de neve cobriu o maciço de Itatiaia. Em geral, no inverno, os dias ensolarados enganam os menos avisados, pois nesta altitude e frio e vento são cortantes.

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A partir da portaria do parque nacional seguimos a pé por uma estradinha até o início da trilha. Deste ponto já temos uma magnífica visão da montanha. A caminhada avança em direção ao maciço rochoso e avistamos as Prateleiras ao fundo.

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Após atravessar um regato de água cristalina, o caminho em aclive se intensifica numa subida de aproximadamente mil metros em direção ao cume. Deste ponto a “escalaminhada” fará parte do desafio.

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Local: Parque Nacional de Itatiaia / RJ

Corrida na Serra do Mar – São Sebastião

” É como uma muralha recortada em tons verde de uma densa mata tropical caindo abruptamente na praia ” (visão do mar)

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Como toda corrida de montanha as subidas parecem sem fim e nas descidas não adianta acelerar porque o tombo pode ser grande. Então seguimos em direção ao litoral de São Sebastião para este desafio na Serra do Mar.

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O domingo amanheceu ensolarado na praça do pôr-do-sol. Os corredores aguardavam a largada na praia de Boiçucanga onde tive a sensação de estar com os pés presos na areia fofa e inclinada da praia.

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Deixando para trás o barulho das ondas, seguimos um pequeno trecho de asfalto até a estrada do Cascalho encontrar o rio Boiçucanga. Em quase um quilometro de extensão, a estratégia era tentar correr no leito do rio e nas partes mais rasas.

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A empolgação era grande entre os corredores quando iniciamos a parte seca do percurso. Retornamos numa estradinha de terra e depois entramos nas trilhas. No início da trilha da praia Brava a subida era constante numa forte variação de altimetria.

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A Serra do Mar revelou o inesperado como o canto estridente de uma araponga, a floração do manacá da serra e no topo da trilha avistamos o mar e a praia. Neste ponto chegamos ao “down hill” em ondas, descida da trilha do Oleoduto da Petrobrás, uma descida íngreme com ondulações até o nível do mar.

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Faltando uns dois quilômetros retornamos ao trecho de areia num esforço final até o portal de chegada. Como prêmio merecido fui para um banho no mar!

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Fotos: Fabio Andrade, Wladimir Togumi e Kleber Luz.