“A verdadeira origem da descoberta consiste não em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos.”
Marcel Proust
A trilha seguiu a crista num pequeno declive e nivelou após trinta minutos de caminhada. Na bifurcação dobramos a direita numa descida de quase cem metros em altitude. Então passamos uma pequena clareira que parecia uma cocheira de gado e mais adiante cruzamos um pequeno riacho.
Margeando o riacho à esquerda por mais algumas dezenas de metros subimos a mata direção sudoeste. A subida dentro da mata mostrava inúmeras trilhas falsas de caminhos deixados pelo gado solto na serra. Subimos o morro até encontrar um terreno mais rochoso, forte indicativo de estarmos chegando ao topo.
Contornando à direita atingimos uma visão do horizonte onde encontramos o mirante a leste, local de onde partimos. O topo estava logo acima. Deixamos as mochilas numa pedra e subindo mais à direita contornamos uma encosta rochosa mais exposta. Em minutos atingimos o topo da Pedra Partida a 2.050 metros de altitude.
Naquela tarde ensolarada uma densa massa de nuvens brancas tentava atravessar aquela parte da serra. O mar de nuvens subia e se dissipava lentamente mais a oeste com a visão da Pedra Redonda e mais ao fundo o Pico do Selado, apenas um ponto escuro quase desaparecido entre as nuvens.
Após uma hora contemplando aquele espetáculo da natureza retornamos ao mirante para acampamento. Fomos surpreendidos com um magnífico entardecer de um pôr do sol esbraseante.
Através dos tempos, as lendas são a tradição oral dos povos através dos fatos, às vezes reais, históricos ou fictícios, repassados de geração a geração, que tornam a narrativa fantasiosa, em resquícios ancestrais e produto da imaginação popular.
As lendas brasileiras se espalham por todo o país. Na região norte temos algumas diretamente influenciadas pela fauna e flora da região amazônica. A lenda do Monte Roraima é uma delas. O tepui está localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela.
A lenda do Monte Roraima surgiu na tribo dos índios Macuxi que habitavam a região da Amazônia venezuelana.
Conta que antigamente não havia nenhuma elevação naquelas terras. Muitas tribos indígenas viviam naquela área plana e fértil onde a caça, a pesca e outros frutos eram abundantes.
Porém, num dia, nasceu uma bananeira, uma árvore que não existia naquelas paragens. Tornou-se rapidamente viçosa e cheia de belos frutos amarelos. Um recado divino foi dado aos pajés: ninguém poderia tocá-la, pois aquele fruto era sagrado. Se alguém o fizesse, inúmeras desgraças aconteceriam ao povo daquela terra.
Olha que já ouvimos uma estória muito similar, mas o fruto proibido era outro.
E assim…
Todos deveriam obedecer ao aviso dado. Porém, ao amanhecer de certo dia, a tribo percebeu que haviam cortado a árvore. Então a natureza revoltou-se. Trovões e relâmpagos deixaram todos assustados. Os animais fugiram. E do centro da mãe Terra surgiu o Monte Roraima, elevando-se imponente até o céu.
O folclore popular diz que até hoje o monte “chora” pela desobediência do sagrado. Este “choro” é devido ao grande volume de precipitações anuais, cascatas e cachoeiras que despencam do paredão.
No trekking do Monte Roraima somos desafiados pelas intempéries, em caminhos onde nossa visão vão além das paisagens exóticas, onde as energias da natureza são manifestadas em cada canto da terra, na água e no ar!
Local: Paraitepuy / Venezuela
Como todo início de temporada de montanha era grande a expectativa para aquele final de semana. A previsão climática indicava muita nebulosidade e nenhuma precipitação. Então seguimos em direção a São Francisco Xavier naquela fria manhã de outono.
Depois de parada obrigatória para um delicioso desjejum com café, leite, pão e queijo minas, seguimos em direção a serra até um estacionamento, a 1.200 metros de altitude. Hora dos ajustes na mochila cargueira, recomendações e alongamento.
A trilha bem demarcada não exigiu nenhum conhecimento prévio além do esforço continuo na subida constante. Os inúmeros regatos e riachos ajudaram a refrescar, além de serem boas fontes para captação de água potável.
Entre paradas e prosas chegamos à crista da serra, divisa entre São Paulo e Minas Gerais. Neste ponto entramos a esquerda em direção a Pedra da Onça. Em três horas de caminhada atingimos o Mirante de São Francisco Xavier a 1.950 metros de altitude.
Apesar da pouca visibilidade obtemos um azimute de 270 graus oeste em direção a Pedra Partida. Ao meio dia seguimos mata adentro onde a trilha principal se confundia com aquelas feitas por vacas e cavalos que ficam soltos na serra, ou ainda, aquelas picadas na mata feitas durante a busca do avião monomotor RV-7 cujos destroços foram encontrados no início de fevereiro de 2013.
O final desta jornada continua no final do mês.
Os dias tem sido estressante? Muitos compromissos e trabalho em excesso? E assim seguimos em frente. É como estar nos trilhos. Somos conduzidos sem ver com muita clareza, quase sem perceber, no modo automático, refém do nosso mundo de cada dia.
E nas trilhas? Lembramos que temos o livre arbítrio, podemos escolher o caminho! O poder da observação aumenta. A consciência se expande e a percepção se aguça. Temos a oportunidade de ser uma consciência desperta.
E assim, durante a caminhada nos redescobrimos como realmente somos. Na auto-observação deixamos os atores no palco e sentamos ao lado do verdadeiro eu expectador. Começamos a perceber o autoengano e acreditamos mais em nossas verdadeiras escolhas.
Sem contrariar, errar é humano. A vida é assim, na mudança interior entendemos nosso processo evolutivo. É um caminhar constante.
Quais as trilhas e trilhos que estamos percorrendo? Buscamos o aprendizado de tudo de bom ou ruim que nos acontece? Celebramos as pequenas conquistas e não somente as grandes?
Que a caminhada nos leve a muitas trilhas do autoconhecimento!
Bom final de semana!
Um lugar especial para se caminhar sem pressa, apreciando a mata e o mar…
Esta trilha revela um tesouro natural da Mata Atlântica em água transparente de um oceano calmo de cor verde azulada. Ponto de encontro para os que sabem apreciar a natureza!
Para desfrutar de perto este paraíso, a caminhada tem início no Saco da Ribeira, em direção à praia da Ribeira. Do píer do Saco da Ribeira saem as embarcações para o Parque Estadual da Ilha Anchieta.
Na praia do Flamengo vale a pena uma parada para banho de mar. Local de praia tranquila que propicia um bom mergulho livre.
De volta à trilha, a subida do morro esconde um paraíso perdido entre muitas estórias do nome do lugar. Segundo contam os antigos caiçaras, há muito tempo atrás à beira mar, havia apenas uma fonte, porém ao longo do ano ela se dividia e aparecia em sete lugares diferentes na praia. Hoje em dia não há vestígios das sete fontes, por outro lado, deixa a certeza que o lugar ainda esconde um pedacinho do paraíso.
A praia das Sete Fontes abriga famílias caiçaras que além da conversa de quem vive da sabedoria do vento e do tempo, também oferecem um bom peixe preparado na hora.
Local: Ubatuba / SP
Para aqueles que amam as corridas como um estilo de vida! Correr é preciso!
Vídeo: Valéria Leal
“Entre as imagens que mais profundamente marcaram minha mente, nenhuma excede a grandeza das florestas primitivas, poupadas da mutilação pela mão do homem. Ninguém pode passar por essas solidões intocado, sem sentir que existe mais dentro do homem do que a mera respiração do seu corpo.”
Charles Darwin
Saímos bem cedo do camping Italiano. A caminhada seguiu descendo até o Lago Nordenskjold.
Nesta etapa a trilha alternou colinas e passagem de riachos até iniciar uma longa subida em direção ao Paso de Los Vientos e descida ao refúgio Chileno. Após descanso subimos em direção ao acampamento Torres localizado dentro do Vale Ascencio.
Como amanheceu um dia nebuloso resolvemos ficar no acampamento e fazer um almoço especial aproveitando todas as sobras de comida. Foi uma prévia da celebração que faríamos no retorno a civilização.
Naquela tarde seguimos confiantes e determinados em subir a montanha para ver as torres. Para nossa surpresa, mais uma vez o microclima mudou a paisagem local e fomos presenteados com as Torres Del Paine totalmente descobertas. Momento de contemplação e agradecimento!
No dia seguinte, com a sensação de dever cumprido, levantamos acampamento, fizemos as mochilas e seguimos montanha abaixo onde pegamos uma van e depois um ônibus para retorno a Puerto Natales.
Estávamos completamente exaustos mas imensamente realizados! Todos são e salvos, apesar de algumas bolhas nos pés e dores musculares.
Como que saindo de um transe…. Mergulhamos em nossos medos, respeitamos a grandeza daquele lugar e fomos além dos nossos limites. Já não éramos mais os mesmos, nossos corpos estavam doidos e nossas mentes despertas! Um estado de consciência do verdadeiro Ser.