Calçamento Histórico – Caminho do Ouro

A origem desses caminhos combina registros históricos, lendas e narrativas transmitidas ao longo do tempo. No final do século XVII, com a descoberta de ouro em Minas Gerais, a Coroa portuguesa estruturou rotas para o escoamento da produção até o litoral.

Devido à geomorfologia da Serra do Mar, trilhas indígenas preexistentes — como as utilizadas pelos Guaianás — foram incorporadas e adaptadas, originando caminhos coloniais que integrariam a Estrada Real, também conhecida como Caminho do Ouro. Essas rotas conectavam as áreas mineradoras ao Vale do Rio Paraíba do Sul e aos portos de Paraty e do Rio de Janeiro, em um percurso estimado de cerca de 1.200 km, realizado em aproximadamente 100 dias por tropas de mulas, que transportavam ouro, café e outros produtos.

Ao longo do século XVIII, trechos importantes do caminho foram pavimentados com o uso de mão de obra escravizada, especialmente nas partes mais íngremes da Serra do Mar e nas proximidades dos núcleos coloniais. O calçamento em pedra, conhecido como “pé de moleque”, ainda pode ser encontrado em diversos pontos.

Atualmente, remanescentes desse calçamento estão preservados em trilhas e travessias no Parque Nacional da Serra da Bocaina, com destaque para os trechos em Cunha (Sete Degraus), São José do Barreiro (Caminho de Mambucaba), Paraty (calçamento colonial), além de outras trilhas em Ubatuba e Angra dos Reis.

Esses percursos evidenciam a sobreposição de trilhas indígenas e rotas coloniais. O Parque Nacional da Serra da Bocaina abrange os municípios de Cunha, Areias, São José do Barreiro, Ubatuba, Paraty e Angra dos Reis, com zonas de amortecimento em Silveiras, Arapeí e Bananal. Essas áreas situam-se no Vale do Rio Paraíba do Sul, na Serra do Mar, no litoral norte de São Paulo e no litoral sul do Rio de Janeiro.

Curiosidade Histórica

O calçamento “pé de moleque” é um tipo de pavimentação tradicional feito com pedras irregulares assentadas manualmente, formando uma superfície resistente e de aspecto rústico. Amplamente utilizado em caminhos coloniais brasileiros, era especialmente aplicado em áreas íngremes para facilitar a circulação de tropas e garantir maior durabilidade das rotas.

Roteiro: Parque Nacional da Serra da Bocaina

Luzes sobre o Mar Escondido

Alguns amanheceres não se explicam. Apenas se revelam…

No alto da serra, o mundo parece suspenso entre a noite e o despertar. A luz ainda não chegou por completo — apenas um sutil degradê rompe a escuridão, tingindo o céu com tons profundos que transitam do azul escuro ao alaranjado gritante, como uma promessa silenciosa do amanhecer.

Lá embaixo, o mar desaparece sob um vasto campo de nuvens. Espessas, escuras e vivas, elas se movem lentamente na linha do horizonte, criando formas que parecem ganhar vida própria — figuras indefinidas, lembranças de animais, contornos que surgem e se desfazem no mesmo instante.

Tudo é silêncio, suspensão e mistério.

E então, entre as nuvens, algo chama a atenção. Uma, duas, até três pequenas luzes incomuns, difíceis de definir, que não acompanham o movimento natural ao redor. Não é possível dizer o que são — apenas que estão ali, contrastando com a imensidão, despertando uma estranha sensação de curiosidade e inquietação.

Há momentos em que a paisagem não se explica.

Apenas se revela… e deixa perguntas no ar.

Você já esteve em um lugar onde o mundo parece suspenso entre a noite e o despertar?

O Trem da Serra Verde

Embarcar no trem da Serra do Mar Paranaense é muito mais do que uma simples viagem; é uma experiência fascinante que conecta Curitiba a Morretes, atravessando a maior área contínua de Mata Atlântica preservada no Brasil. Ao longo do trajeto, a paisagem se revela como um verdadeiro espetáculo natural: montanhas majestosas, cânions profundos, cachoeiras, represas e vistas do litoral paranaense.

O percurso, repleto de história e engenharia, inclui mais de quarenta pontes, sendo a Ponte São João um marco icônico, toda em aço e impressionante em sua estrutura. Os treze túneis, como o imponente Túnel Roça Nova, situado a cerca de mil metros de altitude, conferem um toque de mistério e aventura à jornada.

A ferrovia, inaugurada em 1885 pela Princesa Isabel, carrega o charme do passado. Ao longo do caminho, é possível avistar ruínas de antigas estações, testemunhas silenciosas de uma época que marcou a integração do estado do Paraná. E enquanto o trem avança, a rica biodiversidade da Mata Atlântica é um convite a contemplar a natureza em sua forma mais exuberante.

O passeio chega ao fim em Morretes, cidade que combina arquitetura colonial e histórias fascinantes. Seja pela natureza, pela história ou pela sensação de viajar no tempo, este é um roteiro que encanta a cada curva dos trilhos.

Roteiro: Curitiba – Morretes / PR

Trilha Praia Brava de Boiçucanga

Após percorrer pequenas trilhas entre Barequeçaba e Boiçucanga, terminamos o dia na Trilha Praia Brava de Boiçucanga. Era meio da tarde quando saímos da “Pousada Trilha da Brava Boiçucanga“, que está próximo ao início da trilha. Esta última caminhada totalizou 7 km em 2,5 horas. 

A vista no Mirante da Praia Brava de Boiçucanga reforça a ideia de paraíso perdido neste trecho da serra do mar. A recompensa está na beleza da mata atlântica até esta praia selvagem. Uma praia para surfistas, em razão das grandes e fortes ondas. Não é atoa que se chama praia brava.

A chegada na praia é ao lado de um riacho cristalino, que forma um pequeno e estreito espelho d’água, antes de seguir em direção ao mar. Naquele dia havia somente um cão e casal curtindo o final da tarde na praia.

Caminhando pela areia fofa da praia até o canto direito, seguimos a trilha na mata até a cachoeirinha. São apenas uma dezena de metros até lá. Nada demais, mas o curioso é que o regato d’água não desemboca até o mar, simplesmente desaparece na areia da praia. 

De volta a trilha, após subida até a bifurcação para a praia de Boiçucanga, observamos a encosta esverdeada e o caminho da tubulação da Petrobrás. Notamos também, ao fundo a “Montanhosa Ilhabela” com destaque para o “Pico de São Sebastião“, e abaixo, a sombra da encosta oposta, o caminho da tubulação da Petrobrás que desce a serra até Boiçucanga.

Em mais alguns passos se avista o “Mirante da Praia de Boiçucanga“. Naquele horário a praia refletia uma belíssima cor prateada, e para fechar o dia, em trecho plano após o ponto alto da trilha, o sol caprichosamente abrilhantou a mata numa coloração verde peculiar.

Esta trilha em mata atlântica é dentro do Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo São Sebastião, localizada entre as praias de Boiçucanga e Maresias, com nível de dificuldade médio devido a mata e praia selvagem com desníveis saindo a 125 m de altitude, atingindo 245 m e descendo até o nível do mar.

Festa no Vale – São José dos Campos

” Caminhando na serra vejo o entardecer trazer aquele céu alaranjado pelas bandas de minas. Então, ando mais um pouco em busca de um local para montar abrigo. Após o rancho, o bate papo arrefece para o descanso oportuno. Ainda sem sono, percorro alguns passos até o Abismo e fico de tocaia olhando o céu estrelado. Logo, a atenção se volta para o horizonte em razão da extensa e contínua faixa de luz vindo da minha cidade natal. “

Parabéns São José dos Campos!

255 anos

A quinta cidade mais populosa do estado de São Paulo e a maior do Vale do Paraíba. Município hospitaleiro que se destaca nos setores de serviços, indústrias e tecnologia, localizada entre o eixo São Paulo – Rio de Janeiro, estando a algumas horas das montanhas, nas Serras da Mantiqueira e do Mar, entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, ou das praias de São Paulo e Rio de Janeiro.

27 de julho de 2022

Enselvado – Saco do Mamanguá

Embrenhado na mata. Tudo a flor da pele. Em movimentos compassados, desviando do jângal cortante. Atento aos seres ocultos que rastejam no matagal escuro. Encoberto nas folhagens grossas, busco as frestas de luz. Vem do alto. Tudo verde, tons claro escuro. Natureza viva, esperança. Estimulo reconfortante, na caminhada calma. O verde acalma. Passo-a-passo, corpo e mente ativos, equilíbrio em terreno intocado. Na selva, gotejo. Assombrado em pesar meu estado finito. Seguindo em frente, rasgando a mata, entre espasmos musculares e ardume nos pés. Assolado pela dor. Afora energias boas para depurar os corpos. Sigo a luz na folhagem. Fecho os olhos, me transporto, leve em espírito. Capturo a energia do sol, me aqueço. Nas células da planta vejo espectros de luz, verde ás suas folhas. Como uma simbiose entre seres. Que movimento incrível, volito livremente nas copas mais altas, num revoar controlado. Indo além da mata escura. Driblo a densa folhagem, já me vejo bem acima, agora contemplando a imensidão em tons verdes. No absurdo da minha imaginação, extravagante, acordo descansado, e novamente enselvado.

Selva D’água – Serra do Mar

Dias tórridos de calor com temperaturas acima dos trinta graus célsius e umidade cem por cento dentro da selva. A serra do mar encravada numa cordilheira de montanhas, do litoral ao planalto do vale do Paraíba, até os melhores e bem preparados caminhantes serão exauridos pelo desgaste fulminante dentro da selva da serra do mar. Com a roupa molhada de suor, entre um riacho e outro, o único meio para se refrescar era cair dentro d’água e buscar proteção do sol escaldante.

Entre uma clareira e outra a respiração ecoava nas arvores. Na mata densa, na busca pelo canto das aves, o silencio do meio dia era incomodador. Na picada da trilha o vento se escondia no mato. O suor escorria aos olhos. A cada parada, o resgate por um novo folego. A hidratação e respiração era fundamental para se manter a sanidade. Ao ver os amigos, cada um sabia das dificuldades e não podíamos parar por muito tempo. O jeito era continuar a passos lentos, com cuidado, a cada trecho, escorregadio no barro e difícil nas pedras com os troncos e raízes testando nossa atenção.

Na caminhada sem fim, a mata parecia sempre igual, não fazia diferença, o verde mais verde, a cada curva, aclive ou declive, tudo igual. Da selva minava água de todos os cantos, uma verdadeira selva d’água. Belíssimas quedas d’águas se anunciavam para nossa breve alegria. Em respeito a mãe terra, baixamos a cabeça, levantamos o espirito em oração; E caminhamos a passos firme.

Pernoite no Corcovado – Ubatuba

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Paramos o carro próximo a um campo de futebol para iniciar a nossa jornada. O GPS marcava cota 15 metros e avistamos o nosso desafio que estava a 1.180 metros de altitude, o Pico do Corcovado em Ubatuba.

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Após o campo de futebol seguimos a direita onde atravessamos um regato e na segunda bifurcação à esquerda entramos na mata. Atravessamos dois rios e continuamos na trilha a esquerda. Deste ponto adiante muito transpiração e diversão durante a subida íngreme.

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Em uma hora de caminhada chegamos à cachoeirinha, local onde captamos água e ganhamos fôlego. Logo seguimos até o mirante na pedra da Igrejinha, espaço onde temos à primeira vista do litoral e da praia Brava, e também se avista o Corcovado.

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De volta à trilha, o angulo da subida aumenta em um terreno repleto de raízes. Com a mochila cargueira nas costas a subida era a passos lentos até atingirmos uma clareira onde encontramos acesso a mais uma queda d’água.

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Seguimos subindo e alcançamos mais uma clareira, mas desta vez na crista da serra. A cada passo ganhamos visões do interior da serra e do litoral norte. Neste lugar o caminho percorre uma vegetação com muitas bromélias.

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No finalzinho, sobe-se um íngreme barranco usando a vegetação lateral como agarras. Então a crista se prolonga ao lado de um despenhadeiro. Do lado direito está a ponta do Corcovado e a esquerda encontramos o cume e um local protegido do vento para acampamento.

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A natureza singular reservou um dia quente onde o sol poente trouxe uma grande sombra do pico aos pés da serra do mar. O calor se esvaiu. Para nossa surpresa a lua cheia acentuou o contorno da serra e ampliou as luzes vindas da cidade de Ubatuba.

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Durante a madrugada fria o vento chegou forte e antes do amanhecer saltei para fora da barraca. Mais um esplêndido nascer do sol! Grato por mais um final de semana junto a uma natureza espetacular e aos amigos de fibra.

Ao retornar, deixamos o local onde acampamos igual como o encontramos. O lixo que produzimos no acampamento foi trazido conosco para descarte em local apropriado.

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“Subi o ponto mais alto possível e olhei pro oriente. Raios de luz despontaram atrás das montanhas. O vento ainda doía à pele. Como numa pintura o quadro se encheu de luz vermelho alaranjado que inundou o amanhecer de mais um dia.”

Trilha do Garcez – Parque Estadual da Serra do Mar

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A Trilha do Garcez está localizada dentro do Parque Estadual Serra do Mar – PESM, Núcleo Santa Virgínia – Base Vargem Grande, município de Natividade da Serra / SP.

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Um lugar para contemplar a beleza natural da Serra do Mar caminhando às margens do rio do Jacu e rio Grande. O caminho dentro da floresta atlântica de planalto tem variação de altitude em torno de 230 metros e uma distância total de 6 km.

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Esta trilha conta com diversos atrativos naturais entre cachoeiras e poços para banho, como a cachoeira do Garcez, cachoeira do Pocinho, rio do Jacu e poços para banho ao longo do rio Grande.

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Dentro do parque é fácil encontrar árvores como Manacá-da-serra, Cedros, Palmeiras, Canelas, Araçás e Palmito Jussara. A fauna abriga uma diversidade de 146 espécies de aves endêmicas da Mata Atlântica e 67 espécies de mamíferos.

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Com um pouco de prática na observação do ambiente, pode-se ainda encontrar anfíbios e répteis usando do recurso da camuflagem para se proteger ou esconder dos predadores.

Local: Natividade da Serra / SP