Entre Nuvens e o Infinito

Há momentos em que a natureza nos oferece mais do que uma bela paisagem: ela amplia nossa percepção do mundo. Diante do horizonte iluminado pelos primeiros raios do sol, com montanhas surgindo entre um vasto mar de nuvens, compreendemos o que Rubem Alves chamava de “conhecimento prazeroso”.

“Conhecimento prazeroso é aquele que coloca diante de nós os cenários do mundo, que vão dos ovos num ninho de beija-flor até as galáxias a milhões de anos-luz de distância.”

A contemplação nos ensina que o verdadeiro aprendizado nasce do encantamento. Ele está tanto nos detalhes delicados da vida quanto na grandiosidade das paisagens e do cosmos. Ao observar o amanhecer do alto de uma montanha, somos lembrados de que fazemos parte dessa mesma trama que une o pequeno e o infinito, o próximo e o distante, o visível e o invisível.

Talvez seja por isso que as trilhas nos transformam: porque nos levam não apenas a novos lugares, mas também a novas formas de olhar o mundo. E, quando voltamos para casa, percebemos que a maior descoberta não estava apenas na paisagem diante dos nossos olhos, mas na maneira como aprendemos a enxergá-la.

Engarrafamento nas Montanhas do Brasil

Hoje em dia nas grandes cidades não temos como evitar um engarrafamento no transito ou uma fila no banco, mas engarrafamento na montanha, ninguém merece!

Então vamos deixar a alta montanha, e voltar o olhar nas montanhas do Brasil. Infelizmente, estamos encontrando o mesmo problema. O engarrafamento, por exemplo, começa na portaria da entrada, parte alta do Parque Nacional de Itatiaia, com enorme fila de carros já no início da madrugada. Depois, apesar da regra limitando o número de pessoas nas montanhas, os engarrafamentos naturalmente acontecem na subida do Pico Agulhas Negras e Prateleiras.

E quando o local ainda não é protegido e controlado, com regras de uso para segurança dos visitantes. Como exemplo, o Pico do Marins onde o engarrafamento na escalaminhada final da montanha é comum na alta temporada. Enquanto que na Serra Fina, a cada temporada temos inúmeros casos de pessoas perdidas durante a travessia, e o resgate pelo ar e/ou por terra são acionados. Isso sem falar do lixo deixado nestes locais.

Novamente, além dos montanhistas inexperientes, temos também a falta de consciência sobre não deixar lixo na montanha, respeitar regras de segurança no trekking e camping, ter um bom planejamento e equipamento adequado. Aqui não temos o ar rarefeito, mas no inverno temos frio, vento e temperaturas negativas podendo causar hipotermia, e no verão temos tempestades com raios e ventania forte. Ainda temos a possibilidade de cerração, neblina e dificuldade para orientação e navegação em terreno rochoso, íngreme e bastante irregular.

Então vamos para um local de fácil acesso na montanha. Mesmo assim, hoje em dia, também tem engarrafamento no topo. Neste caso, veja como fica a Pedra da Macela em Cunha. Milhares de “self” ao nascer do sol.

Pernoite na Macela – Cunha

P1070844 (Large)

Como todo ano, começamos com as trilhas fáceis e por isso, não menos belas que as mais difíceis. Escolhendo a dedo um final de semana com lua cheia, seguimos para Cunha em direção a Pedra da Macela.

P1070878 (Large)

Na rodovia Cunha – Paraty Km 66 saímos por uma estrada de terra ladeada por sítios. Após 4 km chegamos ao portão de FURNAS que mantêm no cume uma antena retransmissora. Deste ponto é proibido o acesso de veículos particulares.

P1070897 (Large)

Mochilas prontas! Água suficiente para um dia. Roupa de frio de menos, comida demais e um bom vinho. Ótima previsão do tempo. Então, por uma estrada pavimentada seguimos 2 km de subida.

P1040433 (Large)

Hora antes do crepúsculo, o céu anunciava o pôr do sol de um lado e a lua cheia do outro. Espetáculo à parte foi o nascer do sol atrás da Ilha Grande. O jeito foi parar tudo e contemplar cada momento.

P1040418 (Large)

No topo a 1.840 m de altitude, a paisagem pode ser apenas um mar de nuvens. Entretanto, com um céu de brigadeiro, abriu-se uma vista espetacular das montanhas de Cunha, a histórica Paraty, Angra dos Reis, Ilha Grande e suas baías e ilhas.

P1040432 (Large)

Ao retornar, deixamos o local onde acampamos igual como o encontramos. O lixo que produzimos no acampamento foi trazido conosco para descarte em local apropriado.

Boa semana!

P1070827 (Large)