Clareira Escarlate

Dentro da mata, o contraste do claro escuro assaltava a visão. Às vezes nem os raios do sol conseguiam adentrar a copa das arvores. Apesar de adaptado ao meio, naquela tarde a floresta estava um tanto quanto surreal. A cada passo custoso me embrenhava nas profundezas do jângal. Tropecei e cai dentro de uma clareira. Formava um círculo perfeito, forrada por uma gramínea e folhagens distintas em arbustos que se projetavam até o tronco das arvores na fronteira entre a clareira e a mata.

A cor esverdeada das folhas se tornaram avermelhadas. Com o sol quase a pino, toda luz era tomada pelo círculo. Era estranho e ao mesmo tempo grandioso aquela visão. Parecia uma chaga no chão da floresta, ruborizada, a flor da pele. De verdade, a sensação era de energia e paz. Caminhei até o centro e olhei ao redor. Eram como vasos sanguíneos emaranhados entre si.

Percebi meus pés pesados, presos a superfície. Senti meu coração desacelerar. Senti o sangue fluir dos pés à cabeça. Estava conectado a floresta. Como em câmera lenta, aquele momento pareceu eterno, mas no instante seguinte me vi saindo do círculo. Meu juízo dizia que tinha saído de um portal. Sorri, caminhei sem pensar, sem criticar. Subitamente cheguei em uma bifurcação. De imediato sabia em qual direção acreditar. Então, segui na caminhada.

A Catarse de um Gigante

Em anos cruéis, o gigante acordou sob o azul do firmamento. Ele nunca esteve verdadeiramente adormecido. Agora aparenta estar apático, quase desfalecido.

Foi despertado a trancos e barrancos. Como uma fênix, renasceu das cinzas na consciência. Houve coragem e ousadia. Agora, mais atento, vigilante e resiliente.

A depuração parece lenta, custosa e dolorida. O verdadeiro despertar levará algum tempo. Talvez anos para purificação das entranhas. Uma verdade histórica se consolidará na eternidade.

Os trovadores contarão estórias em cantigas e poesias. Amor e ódio estarão nos refrãos. Em todos os cantos, algum ditado popular será contato, onde as lendas se tornarão crenças.

Atravessará o ciberespaço. Chegará a lugares nunca antes imaginado. Sob a crista do alvorecer, se fará história em terras distantes como em um conto de uma guerra sem fim vencida pelo bem.

Além do Horizonte – Farol da Juatinga

Numa tarde nublada de mar virado, chegamos na comunidade e farol Ponta da Juatinga. Montamos acampamento. Preparamos café da tarde, e depois o rancho, antes da chuva noturna.

Passamos uma noite sem ventania. Amanheceu ensolarado e praticamente sem nuvens.

Examinamos a costa escarpada na tentativa de observar algum trecho da travessia sentido Cairuçu – Laranjeiras. De volta ao farol, constatamos um oceano imenso, com o sol nascendo bem ali no horizonte.

Com acampamento desmontado, descemos na comunidade para esperar o resgate, o Rei Davi. Tivemos tempo para prosear com os meninos no cais e pescadores que estavam preparando a rede de pesca.

Uma bela manhã de domingo. Diferente do dia anterior, o mar estava novamente uma calmaria, parecia uma grande lagoa durante o trajeto até Parati Mirim.

P.S.: ver post 1 e post 2.

Além do Horizonte – Pico do Miranda

Vejo na mata fechada uma terra elevada. Assim, pela manhã seguimos a trilha em subida constante. Na vertente ascendente as árvores se agigantaram.

Após muita subida, alcançamos uma grande pedra. Na trilha a esquerda subimos uma rampa mais íngreme, chegando numa crista rochosa, o Pico do Miranda.

Observe que a praia Pouso da Cajaíba está escondida na reentrância. Subindo o rochoso mais a frente, a direita descortinamos a belíssima Enseada da Cajaíba.

Ao olhar para trás, aparentemente distante, bem ao fundo, quase não notado, a península da Ponta da Juatinga, nosso próximo destino.

Completando este giro panorâmico, do lado esquerdo avistamos a praia Martim de Sá, de onde partimos pela manhã.  

Após uma hora no pico, descemos sem parada até a praia, desmontamos acampamento e partimos para a comunidade e farol Ponta da Juatinga. 

P.S.: ver post 1 e continua no post 3.

Além do Horizonte – Martim de Sá

Vejo terras além do horizonte, mas é preciso se aventurar em mar aberto. Então, embarcamos no Rei Davi para chegar em terras distantes.

Entre nuvens e céu azul, o Saco do Mamanguá ficou para trás, e fomos além. Logo chegamos em águas tranquilas. Estava uma calmaria naquele canto da enseada.

Aportamos no Pouso da Cajaíba. Ao som de um blues mental, tomei café sem pressa. Ajustamos os equipamentos para então iniciar a subida do morro.

No meio do morro, um mirante. Paramos para contemplar aquela imensidão azul, envolto numa densa mata verde. 

Ao som de “The Thrill is Gone”, toquei na areia do outro lado. Admirei o mesmo mar, mas estava diferente. A emoção não se foi, haha, apenas sorri.

Novamente me senti em casa ao retornar no camping do Maneco.

Montamos abrigo e fomos explorar o riacho da Boca da Cachoeira que desagua no canto escondido da praia Martim de Sá.

P.S.: continua no post 2.

O Despertar

Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é “agora“.

Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas, depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão e que conduz “ao bem e benefício de todos“, aceite-o e viva-o.

Três coisas não podem ser escondidas por muito tempo: o sol, a lua e “a verdade“.

Buda

Tempo de Dias Melhores

” Se tudo parece um caos é porque ainda não atingimos um nível de consciência planetário elevado. A realidade é quase virtual. Ainda sofremos de uma ressaca das virtudes e valores onde a verdade custa aparecer.”

” A depuração leva tempo.”

A tempestade extratropical chegou dos extremos. Avassaladora! Chega em vórtices e frio provocando elevações no mar. O ar húmido se condensa. Agora é tempestade tropical. Momento para estar em terra firme, se abrigar. É preciso recolhimento e agir com mansidão.

Lá fora, em um extremo, frio e umidade, no outro, calor e seca. Será que atingimos os dias mais frios do ano? Alguns lugares os termômetros registram zero, em outros, com ventos extremos, a sensação térmica é abaixo de zero. Na verdade, está menos frio. 

A orientação da defesa civil é que a população fique atenta e de prontidão. Desligue os televisores das tomadas. Feche as janelas para os ciclones. Chame a defesa civil ou o bombeiro em caso de riscos. Evite acidentes pois a catástrofe está a deriva. Não deixe isso acontecer.

Acredite, dias melhores virão!

Noite Eterna

Quando a noite parece eterna?

Quando se planejou meia boca, deixou de lado um roteiro e fez descaso para as questões logísticas, ou ainda, acampou no improviso, sem os equipamentos mínimos necessários para uma boa noite de descanso.

Quando a natureza, na sua grandiosidade, chegou avassaladora, dizendo que quem manda no pedaço é ela, trazendo tempestades e condições climáticas extremas, e os equipamentos não foram apropriados para garantir segurança e mínimo conforto.

Quando alguém do grupo não se preparou fisicamente para o desafio, dificultando a jornada de todos, ou participou de um grupo sem liderança e sem objetivos comuns para a boa convivência, com integrantes sem o verdadeiro espírito trilheiro e de montanhista.

Quando apesar de tudo arrumado, imprevistos ocorreram, e daí fomos desafiados no limite de nossas forças físicas e mentais; e fomos resilientes para superar os conflitos. Houve a necessidade de reajustar a rota ou simplesmente encurtar o caminho.

Mas sob outra perspectiva, foi em noites eternas que se vislumbrou as estrelas por uma eternidade. A beleza disso tudo foi a esperança que se renovou após cada pernoite, onde ao amanhecer, fomos presenteados com um dia radiante.

Por isso, na finitude dessa jornada, a consciência seguirá na eternidade. O jeito é aproveitar o máximo, da melhor forma possível, mesmo quando surgirem noites eternas, e corajosamente seguir em frente. Caminhar é preciso!

Do Nascer ao Por do Sol

Existem rotas que assistimos o nascer do sol na estrada, e ao final da jornada o por do sol no horizonte.

Existem caminhadas que ao nascer do sol relembramos como é gostoso sentir o calor matutino, e um alívio refrescante quando o por do sol se esconde atrás da montanha.

Existem trilhas que ao nascer do sol vemos esperança apesar das incertezas pelo caminho, e ao por do sol sentimos conforto no descanso da noite.

Existem dias mais felizes quando paramos alguns minutos para ver o nascer ou o por do sol, independentemente do presente de cada dia.

Mistérios no Alto da Serra

Existem mistérios no alto da serra onde o céu azul distrai o caminhante. Onde se descortina raios de luz que aquece os seres da floresta. Alguns se escondem à meia-luz e outros ficam na escuridão.

Que alegria vê-la radiante. A Lua, a plena luz do dia.

” Que bom seria poder brincar, como se fossem bolinhas de gude, com as luas e planetas desse sistema solar, tentando acertá-las no centro da Via Láctea. “

Mas de nada adianta brincar de deus interplanetário sabendo dos inúmeros mistérios do universo que ainda não sabemos explicar.

Vejo adiante. Dentro da mata escura requer justeza na visão. A mata sombria esconde mistérios. Perigos iminentes e reais. Tudo é energia, densa e sutil. Forças opostas se duelam. Tudo está em conexão.

É preciso volitar em direção a luz. Avistar onde os raios do sol se vertem na mata. Bem no alto da folhagem. Parece descomplicado. Algo diferente está no ar. A floresta escura e densa fica distante.

Parece vasto o horizonte de possibilidades. Alguns desenlaces estão a vista. Ainda distante ano luz de todo merecimento. Muitos enigmas a trilhar. Então sigamos caminhando!