Praia do Aventureiro – Ilha Grande

Saindo da praia de Araçatiba e após atravessar a praia Vermelha iniciei uma subida constante. Tentava manter um passo cadenciado apesar do coração acelerado e respiração ofegante. O suor escorria pelo rosto e o pensamento buscava por mais oxigênio.

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Em alguns minutos de descanso…. A mata antes em silêncio se agitava numa sinfonia de sons. A vegetação tropical, quente e úmida, exalava aromas indescritíveis em meio ao contraste da luz matinal. Corpo e mente vivenciando a sutileza da energia da vida. Um gole d’água era motivo de muita satisfação. A beleza das coisas simples em instantes de puro prazer de observação.

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A descida percorreu um caminho aberto até a vila e praia de Provetá. Após um breve descanso, procurei o próximo morro que indicava a trilha em direção a vila e praia do Aventureiro. O caminhar foi lento sob os olhares incrédulos dos caiçaras que construíam um barco. Do alto, uma bela visão das embarcações repousando naquela tranquila enseada. Na orla da praia um bando de urubus com asas abertas corria contra o vento. Tudo para me distrair com aquele morro que nunca parecia terminar.

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Atingi a crista do morro em quase uma hora de subida. No caminho de descida a mata escondia a belíssima praia do Aventureiro e as poucas casas das pessoas que viviam naquele canto da ilha. Chegando a praia avistamos o momento em que pescadores arrastavam uma grande rede de pesca à beira-mar.

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O acampamento no alto do morro nos privilegiou com um amanhecer espetacular!

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Entre dezenas de trilhas, aquela me levou a um dos vários paraísos de Ilha Grande. Um lugar tranquilo de praia de areia fina, cingida por um mar azul oceânico. A única agitação vinha dos ventos e das ondas.

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Corrida na Serra do Mar – São Sebastião

” É como uma muralha recortada em tons verde de uma densa mata tropical caindo abruptamente na praia ” (visão do mar)

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Como toda corrida de montanha as subidas parecem sem fim e nas descidas não adianta acelerar porque o tombo pode ser grande. Então seguimos em direção ao litoral de São Sebastião para este desafio na Serra do Mar.

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O domingo amanheceu ensolarado na praça do pôr-do-sol. Os corredores aguardavam a largada na praia de Boiçucanga onde tive a sensação de estar com os pés presos na areia fofa e inclinada da praia.

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Deixando para trás o barulho das ondas, seguimos um pequeno trecho de asfalto até a estrada do Cascalho encontrar o rio Boiçucanga. Em quase um quilometro de extensão, a estratégia era tentar correr no leito do rio e nas partes mais rasas.

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A empolgação era grande entre os corredores quando iniciamos a parte seca do percurso. Retornamos numa estradinha de terra e depois entramos nas trilhas. No início da trilha da praia Brava a subida era constante numa forte variação de altimetria.

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A Serra do Mar revelou o inesperado como o canto estridente de uma araponga, a floração do manacá da serra e no topo da trilha avistamos o mar e a praia. Neste ponto chegamos ao “down hill” em ondas, descida da trilha do Oleoduto da Petrobrás, uma descida íngreme com ondulações até o nível do mar.

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Faltando uns dois quilômetros retornamos ao trecho de areia num esforço final até o portal de chegada. Como prêmio merecido fui para um banho no mar!

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Fotos: Fabio Andrade, Wladimir Togumi e Kleber Luz.

Monte Roraima

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Através dos tempos, as lendas são a tradição oral dos povos através dos fatos, às vezes reais, históricos ou fictícios, repassados de geração a geração, que tornam a narrativa fantasiosa, em resquícios ancestrais e produto da imaginação popular.

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As lendas brasileiras se espalham por todo o país. Na região norte temos algumas diretamente influenciadas pela fauna e flora da região amazônica. A lenda do Monte Roraima é uma delas. O tepui está localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela.

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A lenda do Monte Roraima surgiu na tribo dos índios Macuxi que habitavam a região da Amazônia venezuelana.

Conta que antigamente não havia nenhuma elevação naquelas terras. Muitas tribos indígenas viviam naquela área plana e fértil onde a caça, a pesca e outros frutos eram abundantes.

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Porém, num dia, nasceu uma bananeira, uma árvore que não existia naquelas paragens. Tornou-se rapidamente viçosa e cheia de belos frutos amarelos. Um recado divino foi dado aos pajés: ninguém poderia tocá-la, pois aquele fruto era sagrado. Se alguém o fizesse, inúmeras desgraças aconteceriam ao povo daquela terra.

Olha que já ouvimos uma estória muito similar, mas o fruto proibido era outro.

E assim…

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Todos deveriam obedecer ao aviso dado. Porém, ao amanhecer de certo dia, a tribo percebeu que haviam cortado a árvore. Então a natureza revoltou-se. Trovões e relâmpagos deixaram todos assustados. Os animais fugiram. E do centro da mãe Terra surgiu o Monte Roraima, elevando-se imponente até o céu.

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O folclore popular diz que até hoje o monte “chora” pela desobediência do sagrado. Este “choro” é devido ao grande volume de precipitações anuais, cascatas e cachoeiras que despencam do paredão.

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No trekking do Monte Roraima somos desafiados pelas intempéries, em caminhos  onde nossa visão vão além das paisagens exóticas, onde as energias da natureza são manifestadas em cada canto da terra, na água e no ar!

Local: Paraitepuy / Venezuela

Cada Dia que Vivo

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“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

Carlos Drummond de Andrade