Lua Cheia – Pico Queixo da Anta

Após um longo dia de caminhada, montamos acampamento ao entardecer. Era sabido que teríamos em destaque a lua cheia no céu daquele final de semana.

Ela chegou durante o preparo do rancho. Timidamente saiu detrás das árvores na crista da serra. Pura admiração pela sua grandeza inundando o céu noturno.

Como sempre, a mesma face iluminada. Desta vez plenamente iluminada. Deixou o acampamento e arredores bem claro, nem foi preciso usar lanterna.

A noite ficou estonteante. Momento de contemplação e pensativo…

Desde tempos imemoriais a lua cheia desperta paixões e inspiração ao Homo Sapiens. Foi deusa na antiguidade. Influencia o ciclo da natureza, na fertilidade dos seres vivos e no movimento e ritmo das marés. A lua cheia é união entre Yin e Yang. Sinônimo de abundancia. É natureza básica das emoções e sentimentos.

Após horas sob o luar, era como refletir luz própria. Estava pleno de energia. Era a existência humana em sintonia com a natureza e o universo.

No final da madrugada me levantei. Para meu espanto me chamou atenção um ponto expressivamente iluminado no céu noturno.

Estava bem alto, à Leste. Era Vênus o planeta mais brilhante no céu visível. Ele ficou por lá até antes do amanhecer.

Por toda noite a lua cheia correu o céu e foi cair do outro lado atrás das colinas. Vênus foi desaparecendo com o amanhecer.

Enfim, o Sol começou a despontar num facho de luz radiante. Era o princípio de um novo e brilhante amanhecer.

Paisagens do Semiárido – Parque Nacional da Serra da Capivara e das Confusões

Do Tupi, caatinga significa mata branca, ka’a + tinga, visto que a paisagem fica esbranquiçada pela vegetação no período de estiagem e seca extrema.

Todavia nos Parques Nacionais da Serra da Capivara e Serra das Confusões, mesmo na seca, as paisagens do semiárido são divinamente exuberantes e coloridas.

Ao percorrer o circuito Desfiladeiro da Capivara, na boca da Toca do Pajaú, a visão do céu azul em contraste com a terra seca, escondia a beleza que estava por vir.

Nos arredores da Toca do Caboclo da Serra Branca, de antemão pudemos constatar a boniteza dos xique-xique e bromélias abacaxi esparramadas pelo chão rochoso.

Durante o circuito Canoas, Toca do Caldeirão dos Canoas, até onde os olhos podiam espiar, fomos presenteados com uma vastidão de formações inusitadas.

Além disso os desfiladeiros areníticos esculpidos pelas chuvas e ventos realçam as rochas em tons amarelo-alaranjado e cinza-azulado.

No circuito Chapada, adentramos o Baixão das Andorinhas, Toca do Caldeirão do Rodrigues, Toca da Roça do Clóvis e Baixão das Mulheres.

No circuito Boqueirão da Pedra Furada e Sítio do Meio, visitamos os sítios arqueológicos mais importantes, local onde foi encontrado vestígios do homo sapiens e da mega fauna.

São amostras de fogueiras com datação carbono 14 entre 58 a 5 mil anos atrás, e por datação termoluminescência, na base rochosa, entre 100 a 14 mil anos atrás.

Na Toca do Sítio do Meio foi encontrado contas de um colar de grãos, fragmentos de cerâmica e uma machadinha de pedra polida, datados de cerca de 9 mil anos atrás.

Depois fomos caminhar na Serra das Confusões, local mais primitivo e natural, com sítios arqueológicos, grutas, mata e paredões rochosos.

Pareidolia – Parque Estadual de Vila Velha

A pareidolia é um fenômeno psicológico, pessoal e não patológico, quando uma imagem ou som é percebido por engano como um padrão reconhecível. Sendo assim, se você enxerga algo, não quer dizer que a outra pessoa irá identificar o mesmo.

Na natureza é curioso e motivo de brincadeira quando vemos rostos, animais ou objetos nas nuvens, pedras, rochas ou montanhas.

No Parque Estadual de Vila Velha encontramos este fenômeno de pareidolia cravado nas formações rochosas.

Mocó da Caatinga – Parque Nacional da Serra da Capivara

” Nas trilhas pela Caatinga os Mocós estavam à espreita, meio desconfiados e ariscos. “

Os Mocós saiam das fendas para ver o que estava acontecendo. De olfato privilegiado, sabiam da nossa presença antes de chegarmos. Éramos vistos como uma ameaça, visto que emitiam um som de alerta para o grupo.

Como estratégia para nos aproximar e fotografar, entrávamos na toca no sentido contrário ao vento, a fim de não sermos denunciado pelo olfato aguçado. A princípio, ficavam inerte, e logo saiam desembestado.

O Mocó é um roedor com cauda atrofiada, de pelagem cinza, alaranjado e branco, densa e macia. Animal endêmico do Nordeste e norte de Minas Gerais. Pode pesar 1 kg com comprimento de 40 cm e viver até 8 anos.

” O nome tem origem na língua Tupi, mo’kó, significa animal que rói. “

Pernoite no Queixo da Anta – São Francisco Xavier

Assim que nos despedimos da Dona Ricardina, ao meio dia começamos a caminhada. Neste momento a mochila cargueira nem parecia pesada, apesar da água, comida e equipamento para pernoite no Pico Queixo da Anta que está a 1.740 m de altitude.

Dentro da mata, subimos pela encosta íngreme até a parte rochosa. Ao atingir a crista da montanha, avançamos em direção a parte mais alta da pedra. Neste ponto já podíamos ver no horizonte o município de São José dos Campos.

Em seguida descemos, com corda, uma pequena encosta rochosa. Foram 2 horas de caminhada até a ponta da pedra. Então, preparamos o local do acampamento e café. Era começo da tarde e no horizonte se podia perceber que o poente seria magnífico.

Ao observar atentamente a serra, não pude deixar de admirar o formato peculiar da Pedra Bonita (2.120 m).

Com o sol se encaminhando para atrás da serra, havia chegado a hora de retornar a ponta da pedra.

Como um presente, bem abaixo na mata, do lado esquerdo da pedra, havia um bando de muriquis saltando no alto da copa das árvores. Com o zoom da máquina consegui gravar a movimentação da macacada.

Depois voltei minha atenção para o céu alaranjado. Graciosamente a silhueta do Queixo da Anta se refletiu na encosta ao lado. Na boa prosa ficamos vendo aquele espetacular pôr do sol.

Ao cair da noite, a lua nem incomodou o céu estrelado e as luzes de São José dos Campos e São Francisco Xavier.

Na manhã seguinte, aos primeiros raios do sol, as colinas ficaram todas iluminadas, clareando os morros menores no fundo do vale. Era o prenuncio de um dia de céu de brigadeiro.

Ao examinar minuciosamente até onde a vista alcançava, a oeste, ainda na sombra da serra, os eucaliptos mais altos indicavam a Pedra da Onça ou Mirante de São Francisco Xavier (1.950 m) e na elevação mais ao fundo a Pedra Partida (2.050 m).

Como é bom pousar nas montanhas da Mantiqueira!

Ao retornar, deixamos o local onde acampamos igual como o encontramos. O lixo que produzimos no acampamento foi trazido conosco para descarte em local apropriado.

Reflexões sobre o Meio Ambiente

Hoje é Dia Mundial do Meio Ambiente. Apesar de tanta conturbação social mundial diante da pandemia corona vírus e protestos contra segregação racial nos EUA, este tema merece reflexão e ação. Tudo está conectado!

Eventos para comemorar este dia são importantes para conscientização das pessoas. Por outro lado, a Terra pede socorro urgente. Os governos dos países desenvolvidos são os maiores poluidores do planeta, os discursos são sempre bem-posto, porém as ações ficam em segundo plano. A Terra já grita os danos criados pelo ser humano.

Considerando que somos uma superpopulação de mais de sete bilhões de pessoas e que os recursos naturais são finitos, não podemos fazer vista grossa neste assunto. A saúde humana é totalmente dependente da saúde do planeta.

Como disse Carl Sagan:

” O azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos… É a nossa casa. Somos nós…. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. “

Independente de irmos colonizar Marte, necessitamos de um mundo melhor para todos que habitam esse ponto azul na Via Láctea.

Filhote Curioso – São José dos Campos

Do alto um salto. Era um sagui com seu filhote nas costas. Ele passa na frente dos outros e se posiciona em um tronco.

Então o filhote pula das costas da mãe e ensaia uma corrida no tronco. Está curioso. De olhar esbugalhado estuda dar um pinote.

Pelo mesmo caminho ele corre de volta. Aparenta medo. Escala as costas da mãe em busca de proteção. Que filhote curioso!

Deu a Louca na Macacada – São José dos Campos

Os Saguis-de-tufo-preto saltam de lado para outro. Aparentam ter personalidade diferente. Começam a sentar em duplas. Ficam à espreita. Tem uns menores, devem ser adolescentes. Até um bebê aparece na costa de um deles.

Eles têm pelagem estriada, uma mancha branca na testa e tufos pretos ao lado das grandes orelhas. A cauda é maior que o corpo e não usam para dependurar-se. Possuem garras afiadas que ajudam a correr e saltar nas árvores.

São muito ágeis. Alguns expressam surpresa. Um deles parece brincar de esconde-esconde. Dois ficam pulando freneticamente de galho em galho. Outro sagui foi olhar dentro de um tronco oco e um sagui se aproxima e quer pegar a comida das mãos do outro.

Sempre atento aos sons da mata. Parecem olhar para o nada, mas certo de estarem vendo algo. O último a chegar sentou no galho, desinteressado ficou observando no alto das árvores. Contei uns nove.

Alguns são atrevidos. Dois descem ao chão para pegar algo e voltam rápido. O bebê não tira os olhos de mim. Que folia! Então, de supetão todos olham para baixo numa só direção. Notam um perigo e começam a emitir um som de alerta, alto e agudo.

É sinal de perigo. Frenesi na área. Saltam para mais alto nas árvores. Mãos na cabeça. Braços abertos. Deu a louca na macacada. Era uma cobra que passa lentamente sem dar a mínima. Começam a se acalmar. A vocalização aquieta-se.

Um deles perfura um tronco com os dentes, na busca de seiva. Aparentam estar bem nutridos pois a mata ciliar é rica de sementes, flores, frutos e insetos. Sem contar que também se alimentam de filhotes de aves e pequenos lagartos.

Por fim começam a ir embora. Sumiram rapidamente na mata.