Nuvens Brincante – Serra Marins-Itaguaré

Quem nunca brincou de esconde-esconde…

Na montanha, quando chegam as nuvens, como crianças, brincam com os montanhistas. Logo, escondem as serras por um instante e os picos por dias sem fim.

Em determinadas estações do ano ou locais mostram que são tormentas chegando. Por hora, causam preocupação e não é hora de brincadeiras.

Mas o bom mesmo, é vê-las passando, se misturando e dissipando num movimento frenético. Como criança, as nuvens brincam, correm pelos ares e revelam a beleza das montanhas.

Cadê o Caminho? – Pico do Marinzinho

Sabe quando você já caminhou muito, muito mesmo. Está cansado. Faz uma paradinha para um gole d’água. Assim você olha para cima e vê aquela enorme montanha. Parece que não tem como subir até lá, no topo.

Cadê o caminho? Está logo ali, atrás daquele arbusto, entre as pedras. Não se engane, depois de muitas escalaminhadas e uso de cordas nas partes íngremes, a provocação vai até o último passo rumo ao cume.

Que alívio, o desafio foi superado. Ao lado vejo aquela alegria momentânea. Com a mente serena, humildade sempre e paciência mais frequente que o desejado. Logo, vem a disposição para uma parada obrigatória. Momento de contemplação e gratidão.

Às vezes me desvio do caminho, mas logo volto. As vezes perdido e indeciso, penso que está logo ali, a trilha, o caminho, a resposta, a verdade, o momento presente. Respiro, sorrio, é lá vem ela, silenciosa resposta. Logo, de volta no caminho, sigo em frente, na vida.

Flamenguinho – Parque Nacional de Itatiaia

O sapo flamenguinho tem sua coloração dorsal escura e rugosa, fácil ser confundido com as pedras.

O Flamenguinho é símbolo do Parque Nacional de Itatiaia pela biodiversidade e importância do 1º parque nacional brasileiro.

Seu nome popular é muito fácil quando associado a um famoso time de futebol do Rio de Janeiro, o Flamengo, dado que por baixo tem um colorido vermelho e preto.

Agora nas primeiras chuvas de outubro o Flamenguinho sai para se reproduzir. Durante o acasalamento o macho e a fêmea podem ficar abraçados por 24 horas. Ele vive em poças e durante o dia é bastante ativo.

Em pesquisas feitas em julho de 2013, foi registrado estado de dormência durante o inverno. Encontrado hibernáculos com até 15 cm de profundidade no solo e barranco. Eles estavam imóveis e levaram 15 minutos para se locomoverem. Por outro lado, não descartam a adaptação em baixa temperatura ou condições secas da estação.

Então cuidado ao caminhar nas trilhas do parque porque o Flamenguinho estará perambulando pelo parque até março, quando após as chuvas de verão, o sapinho volta a se enterrar para entrar em estado de hibernação durante o inverno.

Monumento Natural Mantiqueira Paulista – Pico dos Marins e do Itaguaré

Caminhantes nas montanhas da Mantiqueira, com frequência, falam sobre a importância da criação de uma unidade de conservação na localidade entre o Pico dos Marins e Pico do Itaguaré.

Então, em junho de 2020, foi publicado no diário oficial a resolução SIMA-33 sobre os procedimentos para criação do Monumento Natural Mantiqueira Paulista, nos municípios de Cruzeiro e Piquete, São Paulo.

A estória é mais ou menos assim…

Tudo começou em 2015 quando a Secretaria do Meio Ambiente criou o Grupo de Trabalho Mantiqueira para desenvolver estudos e propostas de proteção, conservação, desenvolvimento sustentável, e dos aspectos ambientais e socioeconômicos, a partir da cota 800 m da Serra da Mantiqueira entre Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Piquete, Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz.

No âmbito do Grupo de Trabalho Mantiqueira, as prefeituras de Cruzeiro e Piquete, solicitaram a criação respectivamente do Monumento Natural Pico do Itaguaré e Pico dos Marins. Em 2019, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente solicitou que a Fundação Florestal coordenasse um estudo para avaliar o pedido das prefeituras.

A proposta considerada mais adequada foi a criação da Unidade de Conservação de Proteção Integral, na categoria Monumento Natural – MONA, abrangendo a área de vegetação da Serra da Mantiqueira em Cruzeiro e Piquete.

Como o MONA tem objetivo preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica, o Monumento Natural Mantiqueira Paulista teve proposta final discutida em Audiência Pública com área final protegida de 10.371 hectares.

As principais justificativas para criação da MONA Mantiqueira Paulista são:

  • A Mata Atlântica é um “hotspot” mundial de biodiversidade dado as ameaças para conservação ambiental;
  • A Serra da Mantiqueira é um patrimônio natural de biodiversidade com centenas de espécies da fauna, flora e aspectos geológicos especiais;
  • O bem-estar humano é favorecido pelo fornecimento dos mananciais, regulação climática, proteção do solo e produção de alimentos no Vale do Paraíba;
  • O aspecto cultural é singular com o turismo, a paisagem e valores religiosos da região.

Portanto, com a deliberação das diretrizes de gestão da unidade, vamos aguardar a criação final da unidade e do plano de manejo para definir as regras de gestão do Monumento Natural Mantiqueira Paulista.

Fonte: Proposta de Criação do MONA Mantiqueira Paulista e Resolução SIMA-33

Os Irmãos Cortez – Monumento Natural Pedra do Baú

Uma verdadeira obra esculpida pela natureza. A bela formação rochosa encravada no alto da serra da Mantiqueira ressalta um granito imponente. Merece destaque a estória de seus desbravadores.

Já passados 80 anos do grande feito de Antônio e João Teixeira de Souza, conhecidos como os irmãos Cortez, ao atingir o topo da pedra em 12 de agosto de 1940.

Pela face Sul os irmãos desbravaram o paredão de 340 metros de altura, subindo pelas fissuras, entre vegetação e rocha nua. Alcançaram o topo com ajuda de troncos de árvores e muita coragem. Um feito inédito para o montanhismo brasileiro.

Logo que o empresário Luiz Drumond Villares foi levado ao topo pelos irmãos Cortez, ele ficou tão encantado com a beleza que financiou a construção das vias ferrata e um refúgio de montanha.

Então, em 1943 os primeiros grampos de ferro e escada de pedra foram instalados na face Sul (lado de Campos do Jordão), facilitando o acesso de outras pessoas.

Depois um refúgio de montanha foi construído e entregue em 1947. Foram quase dois anos de obra devido à dificuldade ao transportar os materiais até o topo.

Infelizmente o refúgio sofreu vandalismo ao longo dos anos e na década de 80 havia apenas a chaminé da lareira. Atualmente sobraram apenas os alicerces.

Na foto acima, a Pedra do Bauzinho (aparece uma pontinha a esquerda), a Pedra do Baú (ao centro) e a Pedra Ana Chata (a direita). Em 2010, o Complexo da Pedra do Baú foi constituído em Monumento Natural Pedra do Baú.

Local: Campos do Jordão e São Bento do Sapucaí / SP

Lótus Sagrado – Campos do Jordão

” Suas raízes estão bem no fundo, na lama. A noite fecha suas pétalas e submerge. Aos primeiros raios de sol, ressurge. Floresce radiante e puro. “

Nasci em água estagnada. Da profundeza escura, esgotado, com mais algumas braçadas, emergi. Com a visão turva, desorientado, nadei em direção a luz.

Nasci na lama e ressurgi na luz do sol. Não me ligo ao redor, mas vivo no mundo. Na espiritualidade eminente, da escuridão a luz.

Nascimento e renascimento. A cada momento, a cada ciclo, como o dia e a noite. A origem se faz no presente da luz.

” No Budismo a flor de lótus rosa representa o próprio Buda. “

O Ar que Eu Respiro – Pedra da Mina

Ar fluido

Acordei revitalizado após longa e extenuante caminhada. No topo da montanha, saí da barraca para apreciar aquele sol animado. Me espreguicei em cada músculo. Dei alguns passos. Ainda meio cambeta, fiz o corpo pegar no tranco.

Ar ativo

Pensei, pare de viajar tanto. Respirei fundo, lento e ritmado. Instantaneamente tudo ficou mais claro. Estava rindo como criança. Raciocínio, reflexo e memória refinados.

Ar renovado

A paisagem era de cinema, cintilante. Um grande sol sobre as nuvens, completamente acima das montanhas. Havia um calor aconchegante e ar fresco.

Ar manifesto

Os raios do sol matinal cortavam a minha pele. Me sustentei com vitamina D. Tudo parecia descomplicado. A mente estava arejada.

Ar da vida

Tentei não pensar em nada. Meu espirito saudou a natureza. De olhar fixo no horizonte veio o sentimento de gratidão. Estava contente por apenas respirar.

Ar puro

A liberdade justa é como respirar o ar puro. A depressão e irritabilidade perecem sem deixar rastros. Santo remédio esse ar puro.

Um Lobo Camarada – Serra da Bocaina

Ao retornar da Pedra da Bacia, seguimos para o local do acampamento no alto da Serra da Bocaina. Ao entardecer o sol de inverno refletia uma luz especial nos campos ao redor.

Notamos um animal saindo da mata para o campo aberto, caminhando lentamente. Era o solitário lobo-guará.

Estava atento e curioso, olhando para todos os lados. Suas grandes orelhas se movimentavam captando sons que nós não podíamos ouvir.

Aparentava uns 20 kg de peso, cerca de 50 cm de comprimento e 90 cm de altura. Seu tamanho impressionava com aquelas pernas finas e longas.

Animal esguio. A pelagem era densa, o corpo parecia vermelho-alaranjado com crina e patas pretas. A parte inferior da mandíbula e ponta da cauda eram brancas.

Como ele come alimento de origem animal e vegetal, parecia forragear algum petisco no campo aberto.

Acho que veio conferir quem eram os invasores de seu território. Ele ficou perambulando e nos observando o tempo todo.

Ficou em silencio. Não fez nenhum tipo de latido e nem marcação de cheiro.

O lobo em geral tem sua fama de mal, carrega suas lendas e superstições em vários lugares que habita, mas esta espécie não é perigosa.

O lobo-guará não é um animal em risco de extinção, porém está vulnerável ou em perigo devido à redução de áreas de vegetação nativa.

No Brasil o lobo-guará é protegido da caça e aparece como animal símbolo na preservação do Cerrado.

O lobo camarada se afastou. Ficou sentado na sombra das árvores e depois sumiu dentro da mata.