Luz, Rocha e Frio na Mantiqueira

As condições climáticas foram bem estimulantes: durante o dia, calor sob sol forte em contraste com uma brisa de montanha; à noite, houve uma queda acentuada de temperatura, chegando a cerca de -8 °C na madrugada da primeira noite.

No segundo dia, fizemos um trekking de ida e volta até a Pedra Redonda, em um percurso exigente, com subidas e descidas contínuas, terreno irregular e pouco sinalizado nesse trecho da travessia Itaguaré–Marins.

A jornada foi realizada em dupla, o que facilitou o ritmo e a tomada de decisões em campo. O retorno ao acampamento ocorreu no final da tarde, seguido de uma ascensão ao Pico do Itaguaré para apreciar o pôr do sol na serra.

O pôr do sol na montanha foi um dos pontos altos — como um fogo sobre a terra, a luz intensa se refletiu nas formações rochosas, enquanto o verde escuro dos arbustos se espalhava pelas grotas e vales profundos. Do nosso acampamento, a paisagem quase se perdia nas sombras da vegetação. Uma visão extraordinária e singular nas terras altas da Mantiqueira.

Uma Elevação em Perspectiva

Ao longo do vale do rio Paraíba do Sul, temos elevações naturais que se destacam das terras ao redor, descansando sob uma serra contínua e aparentemente suave, onde a vista consegue apenas distinguir uma silhueta uniforme em contraste com o azul.

É um ser vivo que abrasa, desgasta, sedimenta e se movimenta, ao longo de milhões e milhões de anos. Felizmente, estamos sobre terras contínuas, distante das zonas de convergência da crosta. Por isso mesmo, sem grandes elevações em altitude.

Em contrapartida, temos belezas naturais impares, ficando evidente quando caminhamos sobre elas. Nestas terras, não são as altitudes que nos deixam sem folego, e sim as condições climáticas e geográficas distintas que nos desafiam a cada jornada.

Logo, no cume do gigante, ao final da tarde, sua sombra escondeu Cruzeiro e parte da planície no vale. Quando desci o maciço o sol se arrumou do outro lado do horizonte e a face leste ficou ficou ao abrigo das sombras, com realce para outras cidades no vale.

Ao amanhecer, a montanha mostrou uma nova perspectiva. A face oeste estava mergulhada na escuridão, escondendo a magnitude da encosta íngreme e destaque para os cumes pontiagudos. Esta visão foi se modificando ao longo da caminhada.

Ao meio dia, a montanha se transformou em outra. Tom cinza, fendas escuras e vegetação esverdeada até as escarpas mais íngremes. Novamente o município de Cruzeiro aparece timidamente, distante, em linha reta, apenas quinze quilômetros do pico.

Na manhã seguinte, com o sol a pino, uma outra face se revelou, aparentemente arredondada e com visibilidade dos montanhistas notadamente minúsculos. Mais uma vez outra face se abriu, agora um imenso paredão rochoso.

O rochoso escarpado anunciou a grandeza do paredão. Uma enorme fenda ficou evidente. É o pulo do gato, uma pedra entalada entre a fenda e o abismo. Uma passagem necessária para em seguida fazer duas escalaminhadas e alcançar o cume.

Como a segurança deve estar em primeiro lugar, é recomendado usar uma corda de uns vinte metros, alguns mosquetões, fitas de escalada e cadeirinhas, para  ancorar em ambos os lado e atravessar com segurança.