Janela para o Tempo

Entre as ruínas cobertas pela vegetação em Parati Mirim, encontramos uma janela antiga que resiste ao tempo. Sua origem exata permanece envolta em mistério — histórias contadas, lembranças cruzadas e fragmentos do passado que ecoam pela região.

O que se sabe é que, ao longo da história, estruturas semelhantes foram usadas como pontos de quarentena, isolando viajantes que chegavam de navio para evitar a propagação de doenças vindas de outros continentes. Não há registros oficiais de que isso tenha ocorrido aqui, mas a narrativa local mantém vivo esse imaginário.

Hoje, restou apenas um portal vazio, agora tomado pela Mata Atlântica que renasce e ocupa o que antes era pedra, medo e isolamento.
Galhos atravessam o quadro como se redesenhassem a paisagem e nos lembrassem de que:

A natureza não só resiste — ela reconquista.

Esse contraste entre o mistério do passado e a força do presente nos inspira a olhar para a história com respeito e para o agora com esperança.
Onde um dia houve incerteza, hoje há luz.
Onde havia isolamento, hoje há vida.

Parati Mirim — Trilha, história e natureza se encontram aqui.

Dança Sagrada

Em campo aberto, o sol se inclina em direção ao horizonte. Somos convidados a testemunhar a grandiosidade e a profundidade do quadro, onde o calor palpável e a quietude serena permeiam o ar. Testemunhamos um espetáculo sublime. O céu se incendeia em tons ardentes, pintando o firmamento com uma paleta de cores vibrantes.

Envolvido pela magia do momento, pela calidez do sol e tranquilidade do campo aberto, deixei me ser elevado aos últimos raios de luz. Abraçado em comunhão com aquele espetáculo da natureza, por um instante, presente, sem repressão das emoções, no entendimento copioso da combinação dos sentimentos de gratidão e paz.

É uma dança sagrada entre o céu e a terra, entre o afrontamento do sol e a brandura da lua iminente. Cada pôr do sol é uma lição gentil de que, assim como o dia acomoda-se para dar lugar à noite, os ciclos se renovam em constante evolução, muitas vezes não percebido, na lembrança da efemeridade da vida e da eternidade do espírito.

Lua Cheia – Pico Queixo da Anta

Após um longo dia de caminhada, montamos acampamento ao entardecer. Era sabido que teríamos em destaque a lua cheia no céu daquele final de semana.

Ela chegou durante o preparo do rancho. Timidamente saiu detrás das árvores na crista da serra. Pura admiração pela sua grandeza inundando o céu noturno.

Como sempre, a mesma face iluminada. Desta vez plenamente iluminada. Deixou o acampamento e arredores bem claro, nem foi preciso usar lanterna.

A noite ficou estonteante. Momento de contemplação e pensativo…

Desde tempos imemoriais a lua cheia desperta paixões e inspiração ao Homo Sapiens. Foi deusa na antiguidade. Influencia o ciclo da natureza, na fertilidade dos seres vivos e no movimento e ritmo das marés. A lua cheia é união entre Yin e Yang. Sinônimo de abundancia. É natureza básica das emoções e sentimentos.

Após horas sob o luar, era como refletir luz própria. Estava pleno de energia. Era a existência humana em sintonia com a natureza e o universo.

No final da madrugada me levantei. Para meu espanto me chamou atenção um ponto expressivamente iluminado no céu noturno.

Estava bem alto, à Leste. Era Vênus o planeta mais brilhante no céu visível. Ele ficou por lá até antes do amanhecer.

Por toda noite a lua cheia correu o céu e foi cair do outro lado atrás das colinas. Vênus foi desaparecendo com o amanhecer.

Enfim, o Sol começou a despontar num facho de luz radiante. Era o princípio de um novo e brilhante amanhecer.