Trilha Ribeirão do Itu

De Boiçucanga pela estrada do Cascalho são 3 km até as cachoeiras no Ribeirão do Itu, em área de Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo São Sebastião. O acesso é gratuito, com trilhas autoguiadas, sinalizadas e conservadas. O nível de dificuldade das trilhas é de fácil a moderado.

Cachoeira da Hidromassagem

Trilha fácil distante 900 m até a primeira queda d´água. Tem poço natural de tamanho médio e hidromassagens formadas pelas duchas das cascatas.

Cachoeira da Pedra Lisa

Seguir a trilha na bifurcação a direita em mais 100 m de caminhada. Na piscina natural a correnteza é forte por efeito da queda d’água de 30 m de altura.

Cachoeira do Samambaiaçu

Trilha em subida íngreme, distante 1.200 m. A dificuldade da trilha é atenuada pelas escadas e corrimões de madeira. Forma uma grande piscina natural cristalina com 20 m de queda.

Cachoeira Toca da Serpente

Acima do Samambaiaçu, a trilha não está sinalizada e nem conservada, e a subida é íngreme em alguns minutos de caminhada. Na cachoeira o poço tem acesso restrito.

A partir desse ponto a trilha continua como Travessia Salesópolis-Boiçucanga, feita no sentido contrário, descendo a Serra do Mar, numa caminhada em mata atlântica, onde a logística de entrada e saída da trilha é essencial. Essa aventura vamos contar em um próximo post.

Atenção!

Com as pedras escorregadias, corredeiras e poços profundos e com pedras, avalie antes ao pular em água desconhecida. Veja o clima local por conta das chuvas, trombas d´água e inundações. Não caminhe fora da trilha. A mata Atlântica é habitat de animais peçonhentos, então esteja vigilante ao caminhar e atento no local de parada.

Lembre-se, você está em área de proteção ambiental. Não deixe lixo. Leve mochila com água, lanche, repelente, protetor solar e máquina fotográfica. Usar bastão de caminhada ajuda no desnível da trilha. Sempre tenha em mãos material de primeiros socorros.

Se proteja dos perigos da mata, vestindo calça, camiseta, calçado antiderrapante e boné. Leve toalha e roupa de banho.

Todo cuidado e esforço na trilha e nas cachoeiras é compensado pela exuberante mata, cachoeiras fantásticas e piscinas naturais de água cristalina.

São 4 km e 3 horas indo direto até a Toca da Serpente e na volta fazendo a trilha até as outras cachoeiras.

Deixar o carro no “Estacionamento do Cícero” tem bom custo-benefício, segurança e próximo ao início da trilha. Quanto a pernoitar em Boiçucanga, uma boa opção é a “Pousada Trilha da Brava Boiçucanga“, ao lado do início da trilha praia Brava de Boiçucanga, post a ser publicado em breve.

Local: Boiçucanga – Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo São Sebastião.

Tempo de Dias Melhores

” Se tudo parece um caos é porque ainda não atingimos um nível de consciência planetário elevado. A realidade é quase virtual. Ainda sofremos de uma ressaca das virtudes e valores onde a verdade custa aparecer.”

” A depuração leva tempo.”

A tempestade extratropical chegou dos extremos. Avassaladora! Chega em vórtices e frio provocando elevações no mar. O ar húmido se condensa. Agora é tempestade tropical. Momento para estar em terra firme, se abrigar. É preciso recolhimento e agir com mansidão.

Lá fora, em um extremo, frio e umidade, no outro, calor e seca. Será que atingimos os dias mais frios do ano? Alguns lugares os termômetros registram zero, em outros, com ventos extremos, a sensação térmica é abaixo de zero. Na verdade, está menos frio. 

A orientação da defesa civil é que a população fique atenta e de prontidão. Desligue os televisores das tomadas. Feche as janelas para os ciclones. Chame a defesa civil ou o bombeiro em caso de riscos. Evite acidentes pois a catástrofe está a deriva. Não deixe isso acontecer.

Acredite, dias melhores virão!

Festa no Vale – São José dos Campos

” Caminhando na serra vejo o entardecer trazer aquele céu alaranjado pelas bandas de minas. Então, ando mais um pouco em busca de um local para montar abrigo. Após o rancho, o bate papo arrefece para o descanso oportuno. Ainda sem sono, percorro alguns passos até o Abismo e fico de tocaia olhando o céu estrelado. Logo, a atenção se volta para o horizonte em razão da extensa e contínua faixa de luz vindo da minha cidade natal. “

Parabéns São José dos Campos!

255 anos

A quinta cidade mais populosa do estado de São Paulo e a maior do Vale do Paraíba. Município hospitaleiro que se destaca nos setores de serviços, indústrias e tecnologia, localizada entre o eixo São Paulo – Rio de Janeiro, estando a algumas horas das montanhas, nas Serras da Mantiqueira e do Mar, entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, ou das praias de São Paulo e Rio de Janeiro.

27 de julho de 2022

Noite Eterna

Quando a noite parece eterna?

Quando se planejou meia boca, deixou de lado um roteiro e fez descaso para as questões logísticas, ou ainda, acampou no improviso, sem os equipamentos mínimos necessários para uma boa noite de descanso.

Quando a natureza, na sua grandiosidade, chegou avassaladora, dizendo que quem manda no pedaço é ela, trazendo tempestades e condições climáticas extremas, e os equipamentos não foram apropriados para garantir segurança e mínimo conforto.

Quando alguém do grupo não se preparou fisicamente para o desafio, dificultando a jornada de todos, ou participou de um grupo sem liderança e sem objetivos comuns para a boa convivência, com integrantes sem o verdadeiro espírito trilheiro e de montanhista.

Quando apesar de tudo arrumado, imprevistos ocorreram, e daí fomos desafiados no limite de nossas forças físicas e mentais; e fomos resilientes para superar os conflitos. Houve a necessidade de reajustar a rota ou simplesmente encurtar o caminho.

Mas sob outra perspectiva, foi em noites eternas que se vislumbrou as estrelas por uma eternidade. A beleza disso tudo foi a esperança que se renovou após cada pernoite, onde ao amanhecer, fomos presenteados com um dia radiante.

Por isso, na finitude dessa jornada, a consciência seguirá na eternidade. O jeito é aproveitar o máximo, da melhor forma possível, mesmo quando surgirem noites eternas, e corajosamente seguir em frente. Caminhar é preciso!

Pedra do Abismo – São Francisco Xavier

São Francisco Xavier é um agradável distrito do município de São José dos Campos, no estado de São Paulo. Para quem sobe até o mirante de São Francisco Xavier, também conhecido como Pedra da Onça, não deixe de visitar a Pedra do Abismo.

São cerca de 20 minutos de caminhada a partir do mirante, em trilha não sinalizada. Quando chegar na primeira bifurcação desviar a direita, como referência vai passar ao lado de um enorme samambaiaçu.

Na sequência, onde houver bifurcação, manter-se a esquerda. Os caminhos a direita da bifurcação seguem para a Pedra Partida. Observe que a trilha está na crista da serra e o caminho vai seguir em uma suave descida e subida.

Logo ao iniciar a subida, entre numa abertura a esquerda da trilha, como se fosse numa minúscula clareira. Em mais alguns metros encontramos a Pedra do Abismo, a 1.925 m de altitude.

Deste ponto temos 180º de vista panorâmica. A esquerda abaixo temos o distrito de São Francisco Xavier, toda amplitude das demais montanhas a frente, e ao fundo, São José dos Campos e a vastidão do Vale do Paraíba.

A Pedra do Abismo tem pouco espaço. Então, em alguns passos a frente, cuidado, a gravidade garante queda livre.

Curiosidade: abaixo e a direita da encosta, encontra-se os destroços do avião experimental monomotor RV-7, do flagelo ocorrido em 28 de janeiro de 2013. Ver ‘campo comentário’ para mais informação.

Voltando na trilha e subindo mais alguns minutos, chega-se em um rochoso. Em mais alguns passos subindo a esquerda chegamos no Mirante do Abismo a 1.965 m de altitude. Aqui vemos uma perspectiva diferenciada da serra, com visão privilegiada da encosta.

Deste ponto podemos observar na crista da serra a copa dos pinheiros onde se encontra o mirante de São Francisco Xavier. E logo abaixo, o pequeno rochoso da Pedra do Abismo, dando nome a este mirante (do Abismo). Enfim, uma visão sublime da serra dos Poncianos.

Do Nascer ao Por do Sol

Existem rotas que assistimos o nascer do sol na estrada, e ao final da jornada o por do sol no horizonte.

Existem caminhadas que ao nascer do sol relembramos como é gostoso sentir o calor matutino, e um alívio refrescante quando o por do sol se esconde atrás da montanha.

Existem trilhas que ao nascer do sol vemos esperança apesar das incertezas pelo caminho, e ao por do sol sentimos conforto no descanso da noite.

Existem dias mais felizes quando paramos alguns minutos para ver o nascer ou o por do sol, independentemente do presente de cada dia.

Pareidolia – Itamonte

Em Itamonte, não tem como não enxergar nas pedras, colinas e montanhas o efeito neuropsicológico da pareidolia.

De tanto caminhar a gente vê barbatana de tubarão no alto da montanha, e ao se aproximar da Pedra do Picu, o que se vê é uma enorme cabeça de monstro, tipo Jurassic Park ou Godzilla.

Ou ainda, descansando após trilha, no Camping Sítio Guimarães, nas colinas iluminadas ao entardecer se vê um elefante gigante ou mamute pré-histórico se alimentando de um arbusto.

Por fim, durante o trekking circuito Pico da Boa Vista, encontramos cupinzeiros e na boca de um deles, se vê o formato de um olho, com a esclerótica preta e íris verde, de um ser de outro planeta.

P.S.: Pareidolia é quando o observador recebe um estímulo visual ou sonoro, aleatório e impreciso, e o cérebro busca um significado como algo conhecido. É claro que o significado é exclusivo de cada observador.

Mistérios no Alto da Serra

Existem mistérios no alto da serra onde o céu azul distrai o caminhante. Onde se descortina raios de luz que aquece os seres da floresta. Alguns se escondem à meia-luz e outros ficam na escuridão.

Que alegria vê-la radiante. A Lua, a plena luz do dia.

” Que bom seria poder brincar, como se fossem bolinhas de gude, com as luas e planetas desse sistema solar, tentando acertá-las no centro da Via Láctea. “

Mas de nada adianta brincar de deus interplanetário sabendo dos inúmeros mistérios do universo que ainda não sabemos explicar.

Vejo adiante. Dentro da mata escura requer justeza na visão. A mata sombria esconde mistérios. Perigos iminentes e reais. Tudo é energia, densa e sutil. Forças opostas se duelam. Tudo está em conexão.

É preciso volitar em direção a luz. Avistar onde os raios do sol se vertem na mata. Bem no alto da folhagem. Parece descomplicado. Algo diferente está no ar. A floresta escura e densa fica distante.

Parece vasto o horizonte de possibilidades. Alguns desenlaces estão a vista. Ainda distante ano luz de todo merecimento. Muitos enigmas a trilhar. Então sigamos caminhando!

Cachoeira da Fragária – Itamonte

Após trilhas na Pedra do Picu e Pico da Boa Vista, fechamos com a cachoeira da Fragária. Ela faz parte da famosa Volta dos 80, mas pode ser acessada a partir de Itamonte até Campo Redondo, em 31 km de estrada de terra.

Da estrada, avistamos uma exuberante queda d’água de 100 m de altura. Como não basta ver de longe, descemos o morro. Entramos numa  cavidade ao lado de uma casa, em direção a borda da mata. Daí seguimos pela direita até iniciar uma nova descida ao riacho da cachoeira.

Em dia de sol sua parede e poço principal ficam iluminados pela manhã. A tarde a cachoeira estará na sombra. Outra dica, a trilha na matinha é estreita, íngreme e usa cordas instaladas em dois pontos na descida.

As margens do riacho, o espaço é limitado, sem contar que as pedras estão sempre molhadas e lisas. Todo cuidado ao entrar nos dois poços da cachoeira.

Á primeira vista, do alto, parece tão pequenina. Se agiganta quando estamos defronte dela. Um arco-íris se projeta no poço principal. Ao olhar para cima, impressionante como o salto provoca uma forte ventania e spray d’água.

Além da vista panorâmica da cachoeira da Fragária também se avista o Pico do Peão, que faz parte do circuito Pico da Boa Vista. Em altitude, a cachoeira da Fragária está a 1.350 m e o Pico do Peão a 2.150 m.

Local: Itamonte / MG

Lua de Sangue

Desci na terra para capturar a Lua de Sangue.

Com o tripé a postos, engatilhei a máquina em direção ao firmamento. Vi nuvens brincando ao vento. Olhava com espanto como se fosse a primeira vez.

Noite de lobos que não uivam. Ela chegara preguiçosa. Pintada de laranja.

Espreito a imensidão do cosmos. Silêncio. Minha alma se acalma, se dispersa na vastidão da noite sem fim. Admiro aquilo tudo.

A Terra a esconde por completo em sua sombra. Fica tímida.

Resta um facho de luz, muito reluzente, que se esvai aos poucos.

Vida a Lua de Sangue! Enorme, escarlate e perfeita. Sem pudor, nua na penumbra. Uma viajante apressada. 

Novamente toda cheia de graça e radiante no céu noturno. 

Sem devaneio, cedo ao frio da madrugada. Meus olhos navegam à deriva. Minha hora chegou. Ascendo para adormecer.