Aranha Pescadora

Aranha encontrada com certa facilidade nas pedras de riachos e cachoeiras. Algumas impressionam pelo tamanho. De cor amarronzada, ficam bem camufladas nas rochas. Como curiosidade elas correm sobre água parada e possuem oito olhos. 

Conhecida como aranha-pescadora ou aranha d’água, estava num canto sobre o chão de pedra de um riacho na região de Delfinópolis, Serra da Canastra. Apesar da minha aproximação a aranha não se mexeu. 

Da família Trechaleidae, são 117 espécies distribuídas em 16 gêneros, sendo esta do gênero Trechaleoides biocellata.

O Vitorioso Alamarius

Em direção as montanhas elevadas, os pensamentos divagavam, aparentemente sonolento, em fleches de memórias passadas e recentes, sem saber distinguir entre realidade e fantasia.

A beira da estrada, estavam enfileiradas, alternando cores frias e quentes. O talhe é gigante, com tronco reto, de copa mais ou menos densa, em forma de coluna ou oval.

O álamo, árvore que pode alcançar trinta metros de altura. Dentro do carro, pareciam querer tocar o céu. Em elevação, cada vez mais, sentia o ar seco e rarefeito.    

Em terras altas, diante de uma geografia acidentada, onde impera umidade e temperatura baixa sob constantes e incansáveis ventos e turbulência, o álamo se destaca forte e vitorioso.

Do grego alamarius, o álamo, significa indivíduo vitorioso sobre algum assunto aparentemente impossível, diante do olhar dos outros.

Uma Caçadora Nata

Tem destreza no caminhar. No olhar, tem a precisão da caça ligeira. Uma caçadora nata.

De bico longo, reto e pontudo. Aparenta imponência no compasso dos passos. Se destaca na várzea alagada. Essa é de cor alva. Entra na lama e não se suja.

Uma bela ave. Finalmente abocanha um peixinho e sai em revoada com a cabeça retraída junto ao corpo.

Na tradição japonesa a garça simboliza sabedoria e juventude eterna, e quem fizer mil origamis, caminhará na direção da longevidade.

Impacto Imediato – Meio Ambiente

Impacto imediato é ver uma foto de um paraíso natural como este, não é mesmo? Nos conforta e traz boas memórias, como aquelas férias na praia!

Outro impacto imediato é o desconforto ao constatar que na mesma praia encontramos lixo. De fato, o ser humano joga coisas, muito delas reutilizáveis, que a natureza não pode digerir.

Encontramos todo tipo de lixo, alguns como uma parte de um brinquedo, garrafas de plástico e vidro, isqueiro, tampa de um ventilador, barbeador descartável, sola de um calçado e isopor.   

A mãe natureza é muito benevolente com a humanidade. O planeta já manifesta duras mudanças ambientais. Em um local contaminado é impossível habitar qualquer ser vivo saudável.

Esta poluição que chega nas praias é uma pequena parte. Todo ano, milhões de toneladas de plástico chegam aos Oceanos da Terra, mantando milhões de aves e animais marinhos.

A sociedade civil, governos, empresas, comunidade científica-acadêmica são pessoas. A maior ameaça ao nosso planeta somos nós mesmos, mas cada um de nós pode ajudar na redução da poluição ambiental.   

Os mutirões nas praias com engajamento da população local e turistas ajuda, mas o certo mesmo são políticas e ações públicas para combater as poluições das atividades humanas.

É urgente intensificar a educação ambiental nas escolas. Importante conscientizar e esclarecer sobre a preservação para o consumo e uso sustentável dos recursos e gravidade da poluição nos mares.  

Temos soluções e tecnologias. O maior desafio é a mudança de atitude, vontade econômica e política; E união da sociedade civil, governos e organizações privadas para salvar nosso Planeta Água.

Donde Eu Vim – São José dos Campos

Donde eu vim, os primeiros habitantes no final do século XVI eram os índios Puris com os jesuítas formaram a Aldeia do Rio Comprido, que em 27 de julho de 1767 foi elevada a vila de São José do Paraíba, distante quinze quilômetros de onde está localizada a Igreja Matriz. Em meados do século XIX com a produção de algodão para exportação houve um crescimento econômico.

Éramos rurais e nascemos com vocação tecnológica. Hoje somos referência em inovação e empreendedorismo no Brasil. Uma cidade com qualidade de vida, grandes extensões de ciclovias, muitos lugares para caminhar e correr.    

Donde eu vim, tantas mudanças. Em 1864 de vila a município, em 1871 o nome da cidade mudou para São José dos Campos, em 1869 o primeiro bairro de Santana, em 1921 inaugurado o Mercado Municipal e 1951 chegou a rodovia Presidente Dutra. Fomos uma estação climática e cidade sanatório no tratamento da tuberculose, história preservada com o tombamento do parque Vicentina Aranha.

Qual Joseense que não conhece a praça do Sapo, o parque Santos Dumont, o Banhado e a primeira fábrica e fazenda da tecelagem Paraíba, hoje Parque (da Cidade) Municipal Roberto Burle Marx.  

Donde eu vim, a partir da década de 40 e 50 ocorreu a criação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA, e ao redor, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial – DCTA, um complexo para pesquisa e desenvolvimento aeroespacial, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, e o boom industrial na cidade.

Em 1969, nasceu o avião Bandeirante e foi criada a Embraer, atualmente a terceira maior fabricante mundial de aviões. Em 2006 foi criado o Parque Tecnológico de São José dos Campos e a partir de 2011 incorporado o Centro Empresarial.

Donde eu vim, hoje somos mais de 730 mil habitantes, a segunda maior população do interior de São Paulo, a maior cidade do Vale do Paraíba, com área de 1.100 km2 e distritos de Eugenio de Melo e São Francisco Xavier.

Em 2019, a pesquisa Indicadores de Satisfação dos Serviços Públicos – Indsat, indicou primeiro lugar no grau de satisfação com qualidade de vida entre as 10 maiores cidades do estado de São Paulo, tendo na sustentabilidade a melhoria da qualidade ambiental e investimentos em parques públicos. Dentro dessa área total existem áreas de serrado e mata atlântica.

Donde eu vim, em 2018 o distrito de São Francisco Xavier ganhou um parque público na antiga fazenda do Bose, que abriga um casarão do século XIX e metade da área está em floresta nativa.

Aos pés dessa parte da Serra da Mantiqueira, faz divisa com Camanducaia – Monte Verde – MG. Dos 500 m de altitude na planície do rio Paraíba do Sul alcança 2.080 m no Pico do Selado, o ponto culminante do município.

O distrito de São Francisco Xavier é Área de Proteção Ambiental, Estadual e Federal, e suas matas abrigam o muriqui, o maior primata das Américas.

Donde eu vim, em 2020 a Fundação Arbor Day e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura anunciou São José dos Campos como uma das três cidades reconhecidas no programa “Cidades de Árvores do Mundo”. Para receber o reconhecimento, a cidade teve de provar o compromisso com as árvores, a silvicultura, o manejo e criação de florestas urbanas.

Continuar preservando e desenvolvendo o verde na vida do Joseense faz de São José dos Campos uma das cidades mais arborizadas do país.

Donde eu vim, temos um jequitibá-rosa, patrimônio Joseense, protegida por lei, situado no distrito de Eugênio de Melo. Atualmente sustentado por hastes de ferro é um dos símbolos da cidade. Um verdadeiro ancião, conhecida como o Gigante Eugênio, com 27 m de altura, uma copa de quase 30 m e idade estimada em até 700 anos.

Somos privilegiados por estar próximo as maiores montanhas do país, na serra da Mantiqueira, e do litoral norte e sul de São Paulo, um dos litorais mais bonitos do Brasil.

Donde eu vim, em 2022 São José dos Campos foi certificada como a primeira Cidade Inteligente do Brasil. A certificação foi concedida pela ABNT (NBR ISO 37120, 37122 e 37123) regulamentadas pelo World Council on City Data / ONU, em serviços urbanos, qualidade de vida e práticas sustentáveis, destacando aplicação tecnológica e boas práticas de gestão na qualidade de vida da população.

Por tudo isso, somos orgulhosos de sermos Joseense. Parabéns a todos que vivem em São José dos Campos pelos 256 anos de prosperidade, oportunidade, responsabilidade, qualidade de vida, amor, sonhos e liberdade!

Há dois anos atrás tivemos a grata apresentação da Esquadrilha Ceu, formada por pilotos da aviação de caça e oficiais da reserva da Força Aérea Brasileira, quando da comemoração do aniversário de 254 anos.

Parabéns São José dos Campos!

256 anos

Artistas da Pré-História Brasileira – Parque Nacional da Serra da Capivara

A mais de 10.000 anos atrás nossos ancestrais, caçadores-coletores, habitaram selvas verdes da mata atlântica na região do nordeste brasileiro.

Certamente a fauna era abundante, e assim tinham tempo livre para representar o cotidiano em pinturas rupestres, encontradas em centenas de sítios na Serra da Capivara, ao sul do estado do Piauí.

Nas paredes das tocas, os painéis das pinturas retratam a evidência que ali viviam muitos animais, além das cenas do cotidiano, como a caça, o sexo, o nascimento, a dança e os rituais.

Os seres antropomórficos aparecem em cores e feitio diferente. Em algumas figuras vale a imaginação para tentar entender o que é ou o significado da cena.

As imagens são uma amostra do registro feito nas caminhadas dentro do Parque Nacional da Serra da Capivara, nas tocas do Pajaú, do Barro, do Baixão da Vaca, das Eminhas e Veadinhos Azuis, do Deitado, da Gameleira, da Saída, do Paraguaio, do Caldeirão e Baixão das Andorinhas.

Esta é a primeira etapa de uma jornada na Serra da Capivara e Serra das Confusões. Em novos posts mostraremos muito mais das inscrições rupestres e também da mega fauna.

A Grande Mãe – Saco do Mamanguá

A admirável mãe se debruçou…

Há séculos em ascensão aos céus, símbolo magno da vida, por vez sequiosa por águas turbulentas, se aproximou do abismo das margens úmidas.

O grandioso tronco se ramificou em galhos fortes na busca do sol vivo. Apesar da superioridade alcançada, se viu pendida sobre o rio Grande. Agora penetra as rochas e foge das corredeiras. Ela bebe das águas do conhecimento. Ainda perene, segue corpulenta.

Agora em tempos de tempestades tardias, da primavera derradeira, as águas turbulentas buscam novos caminhos para transpor a grande mãe. Os espíritos da floresta espreitam felizes nesta brincadeira das águas.

Então fui descansar em seus braços, debaixo do tronco maior, ao lado das corredeiras mansas. Apenas fluido, fluindo nas corredeiras, feliz. A grande mãe me acolheu em seus braços.

A grande mãe é pura regeneração. Sem medo, ainda se avolumando com ímpeto, galhos vertendo verticalmente, incontáveis folhas morrendo e renascendo a todo instante, cíclica, fértil. A grande árvore da fonte da vida.

De raízes imensas, embrenhadas nas profundezas escuras do subterrâneo da terra. Aquele tronco descomunal, vertido na superfície, os galhos buscam forças para alcançar novamente a luz do céu. Até quando a grande mãe vai resistir à tentação das águas descomunais que chegam na estação iminente?

Logo, do tronco ceifado e inerte da grande mãe, a vida regenera num minúsculo broto verde. A morte e vida se confundem. É o ciclo que se renova!

Flamenguinho – Parque Nacional de Itatiaia

O sapo flamenguinho tem sua coloração dorsal escura e rugosa, fácil ser confundido com as pedras.

O Flamenguinho é símbolo do Parque Nacional de Itatiaia pela biodiversidade e importância do 1º parque nacional brasileiro.

Seu nome popular é muito fácil quando associado a um famoso time de futebol do Rio de Janeiro, o Flamengo, dado que por baixo tem um colorido vermelho e preto.

Agora nas primeiras chuvas de outubro o Flamenguinho sai para se reproduzir. Durante o acasalamento o macho e a fêmea podem ficar abraçados por 24 horas. Ele vive em poças e durante o dia é bastante ativo.

Em pesquisas feitas em julho de 2013, foi registrado estado de dormência durante o inverno. Encontrado hibernáculos com até 15 cm de profundidade no solo e barranco. Eles estavam imóveis e levaram 15 minutos para se locomoverem. Por outro lado, não descartam a adaptação em baixa temperatura ou condições secas da estação.

Então cuidado ao caminhar nas trilhas do parque porque o Flamenguinho estará perambulando pelo parque até março, quando após as chuvas de verão, o sapinho volta a se enterrar para entrar em estado de hibernação durante o inverno.

Monumento Natural Mantiqueira Paulista – Pico dos Marins e do Itaguaré

Caminhantes nas montanhas da Mantiqueira, com frequência, falam sobre a importância da criação de uma unidade de conservação na localidade entre o Pico dos Marins e Pico do Itaguaré.

Então, em junho de 2020, foi publicado no diário oficial a resolução SIMA-33 sobre os procedimentos para criação do Monumento Natural Mantiqueira Paulista, nos municípios de Cruzeiro e Piquete, São Paulo.

A estória é mais ou menos assim…

Tudo começou em 2015 quando a Secretaria do Meio Ambiente criou o Grupo de Trabalho Mantiqueira para desenvolver estudos e propostas de proteção, conservação, desenvolvimento sustentável, e dos aspectos ambientais e socioeconômicos, a partir da cota 800 m da Serra da Mantiqueira entre Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Piquete, Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz.

No âmbito do Grupo de Trabalho Mantiqueira, as prefeituras de Cruzeiro e Piquete, solicitaram a criação respectivamente do Monumento Natural Pico do Itaguaré e Pico dos Marins. Em 2019, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente solicitou que a Fundação Florestal coordenasse um estudo para avaliar o pedido das prefeituras.

A proposta considerada mais adequada foi a criação da Unidade de Conservação de Proteção Integral, na categoria Monumento Natural – MONA, abrangendo a área de vegetação da Serra da Mantiqueira em Cruzeiro e Piquete.

Como o MONA tem objetivo preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica, o Monumento Natural Mantiqueira Paulista teve proposta final discutida em Audiência Pública com área final protegida de 10.371 hectares.

As principais justificativas para criação da MONA Mantiqueira Paulista são:

  • A Mata Atlântica é um “hotspot” mundial de biodiversidade dado as ameaças para conservação ambiental;
  • A Serra da Mantiqueira é um patrimônio natural de biodiversidade com centenas de espécies da fauna, flora e aspectos geológicos especiais;
  • O bem-estar humano é favorecido pelo fornecimento dos mananciais, regulação climática, proteção do solo e produção de alimentos no Vale do Paraíba;
  • O aspecto cultural é singular com o turismo, a paisagem e valores religiosos da região.

Portanto, com a deliberação das diretrizes de gestão da unidade, vamos aguardar a criação final da unidade e do plano de manejo para definir as regras de gestão do Monumento Natural Mantiqueira Paulista.

Fonte: Proposta de Criação do MONA Mantiqueira Paulista e Resolução SIMA-33

Pareidolia – Parque Estadual de Vila Velha

A pareidolia é um fenômeno psicológico, pessoal e não patológico, quando uma imagem ou som é percebido por engano como um padrão reconhecível. Sendo assim, se você enxerga algo, não quer dizer que a outra pessoa irá identificar o mesmo.

Na natureza é curioso e motivo de brincadeira quando vemos rostos, animais ou objetos nas nuvens, pedras, rochas ou montanhas.

No Parque Estadual de Vila Velha encontramos este fenômeno de pareidolia cravado nas formações rochosas.