Além do Horizonte – Martim de Sá

Vejo terras além do horizonte, mas é preciso se aventurar em mar aberto. Então, embarcamos no Rei Davi para chegar em terras distantes.

Entre nuvens e céu azul, o Saco do Mamanguá ficou para trás, e fomos além. Logo chegamos em águas tranquilas. Estava uma calmaria naquele canto da enseada.

Aportamos no Pouso da Cajaíba. Ao som de um blues mental, tomei café sem pressa. Ajustamos os equipamentos para então iniciar a subida do morro.

No meio do morro, um mirante. Paramos para contemplar aquela imensidão azul, envolto numa densa mata verde. 

Ao som de “The Thrill is Gone”, toquei na areia do outro lado. Admirei o mesmo mar, mas estava diferente. A emoção não se foi, haha, apenas sorri.

Novamente me senti em casa ao retornar no camping do Maneco.

Montamos abrigo e fomos explorar o riacho da Boca da Cachoeira que desagua no canto escondido da praia Martim de Sá.

P.S.: continua no post 2.

Trilha Praia Brava de Boiçucanga

Após percorrer pequenas trilhas entre Barequeçaba e Boiçucanga, terminamos o dia na Trilha Praia Brava de Boiçucanga. Era meio da tarde quando saímos da “Pousada Trilha da Brava Boiçucanga“, que está próximo ao início da trilha. Esta última caminhada totalizou 7 km em 2,5 horas. 

A vista no Mirante da Praia Brava de Boiçucanga reforça a ideia de paraíso perdido neste trecho da serra do mar. A recompensa está na beleza da mata atlântica até esta praia selvagem. Uma praia para surfistas, em razão das grandes e fortes ondas. Não é atoa que se chama praia brava.

A chegada na praia é ao lado de um riacho cristalino, que forma um pequeno e estreito espelho d’água, antes de seguir em direção ao mar. Naquele dia havia somente um cão e casal curtindo o final da tarde na praia.

Caminhando pela areia fofa da praia até o canto direito, seguimos a trilha na mata até a cachoeirinha. São apenas uma dezena de metros até lá. Nada demais, mas o curioso é que o regato d’água não desemboca até o mar, simplesmente desaparece na areia da praia. 

De volta a trilha, após subida até a bifurcação para a praia de Boiçucanga, observamos a encosta esverdeada e o caminho da tubulação da Petrobrás. Notamos também, ao fundo a “Montanhosa Ilhabela” com destaque para o “Pico de São Sebastião“, e abaixo, a sombra da encosta oposta, o caminho da tubulação da Petrobrás que desce a serra até Boiçucanga.

Em mais alguns passos se avista o “Mirante da Praia de Boiçucanga“. Naquele horário a praia refletia uma belíssima cor prateada, e para fechar o dia, em trecho plano após o ponto alto da trilha, o sol caprichosamente abrilhantou a mata numa coloração verde peculiar.

Esta trilha em mata atlântica é dentro do Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo São Sebastião, localizada entre as praias de Boiçucanga e Maresias, com nível de dificuldade médio devido a mata e praia selvagem com desníveis saindo a 125 m de altitude, atingindo 245 m e descendo até o nível do mar.

Terra Escondida

Me aventurei numa terra escondida, desconhecida, ainda sem nome. A primeira vez que a vi, examinei com atenção. Além de um rochoso, as pedras na encosta da montanha confirmaram os mirantes naturais.

A mesma terra escondida que quando criança imaginava uma grande parede, contínua, sombreada e distante. Logo depois fui aprender que era uma grande cadeia montanhosa, chamada de Mantiqueira.

Significa “serra que chora”, nome dado pelos indígenas, graças as nascentes que descem pelas encostas da serra organizando riachos e afluente rios, até formar o rio Paraíba do Sul no Vale do Paraíba.

Nesta parte de terra escondida da serra, não a vi chorar. Seus minadouros estão bem abaixo na vastidão da sua extensão. Pousei ao lado de um rochoso, enviesado para o sul de minas, abrigado da ventania que vem do vale.

Em terra escondida não se engane, mesmo os mais experientes desbravadores, são fustigados pelo jângal, que arrebata sua energia e pensamentos. Limpa sua mente de tal forma que até fica desorientado.

Noite Eterna

Quando a noite parece eterna?

Quando se planejou meia boca, deixou de lado um roteiro e fez descaso para as questões logísticas, ou ainda, acampou no improviso, sem os equipamentos mínimos necessários para uma boa noite de descanso.

Quando a natureza, na sua grandiosidade, chegou avassaladora, dizendo que quem manda no pedaço é ela, trazendo tempestades e condições climáticas extremas, e os equipamentos não foram apropriados para garantir segurança e mínimo conforto.

Quando alguém do grupo não se preparou fisicamente para o desafio, dificultando a jornada de todos, ou participou de um grupo sem liderança e sem objetivos comuns para a boa convivência, com integrantes sem o verdadeiro espírito trilheiro e de montanhista.

Quando apesar de tudo arrumado, imprevistos ocorreram, e daí fomos desafiados no limite de nossas forças físicas e mentais; e fomos resilientes para superar os conflitos. Houve a necessidade de reajustar a rota ou simplesmente encurtar o caminho.

Mas sob outra perspectiva, foi em noites eternas que se vislumbrou as estrelas por uma eternidade. A beleza disso tudo foi a esperança que se renovou após cada pernoite, onde ao amanhecer, fomos presenteados com um dia radiante.

Por isso, na finitude dessa jornada, a consciência seguirá na eternidade. O jeito é aproveitar o máximo, da melhor forma possível, mesmo quando surgirem noites eternas, e corajosamente seguir em frente. Caminhar é preciso!

Pedra do Abismo – São Francisco Xavier

São Francisco Xavier é um agradável distrito do município de São José dos Campos, no estado de São Paulo. Para quem sobe até o mirante de São Francisco Xavier, também conhecido como Pedra da Onça, não deixe de visitar a Pedra do Abismo.

São cerca de 20 minutos de caminhada a partir do mirante, em trilha não sinalizada. Quando chegar na primeira bifurcação desviar a direita, como referência vai passar ao lado de um enorme samambaiaçu.

Na sequência, onde houver bifurcação, manter-se a esquerda. Os caminhos a direita da bifurcação seguem para a Pedra Partida. Observe que a trilha está na crista da serra e o caminho vai seguir em uma suave descida e subida.

Logo ao iniciar a subida, entre numa abertura a esquerda da trilha, como se fosse numa minúscula clareira. Em mais alguns metros encontramos a Pedra do Abismo, a 1.925 m de altitude.

Deste ponto temos 180º de vista panorâmica. A esquerda abaixo temos o distrito de São Francisco Xavier, toda amplitude das demais montanhas a frente, e ao fundo, São José dos Campos e a vastidão do Vale do Paraíba.

A Pedra do Abismo tem pouco espaço. Então, em alguns passos a frente, cuidado, a gravidade garante queda livre.

Curiosidade: abaixo e a direita da encosta, encontra-se os destroços do avião experimental monomotor RV-7, do flagelo ocorrido em 28 de janeiro de 2013. Ver ‘campo comentário’ para mais informação.

Voltando na trilha e subindo mais alguns minutos, chega-se em um rochoso. Em mais alguns passos subindo a esquerda chegamos no Mirante do Abismo a 1.965 m de altitude. Aqui vemos uma perspectiva diferenciada da serra, com visão privilegiada da encosta.

Deste ponto podemos observar na crista da serra a copa dos pinheiros onde se encontra o mirante de São Francisco Xavier. E logo abaixo, o pequeno rochoso da Pedra do Abismo, dando nome a este mirante (do Abismo). Enfim, uma visão sublime da serra dos Poncianos.

Mistérios no Alto da Serra

Existem mistérios no alto da serra onde o céu azul distrai o caminhante. Onde se descortina raios de luz que aquece os seres da floresta. Alguns se escondem à meia-luz e outros ficam na escuridão.

Que alegria vê-la radiante. A Lua, a plena luz do dia.

” Que bom seria poder brincar, como se fossem bolinhas de gude, com as luas e planetas desse sistema solar, tentando acertá-las no centro da Via Láctea. “

Mas de nada adianta brincar de deus interplanetário sabendo dos inúmeros mistérios do universo que ainda não sabemos explicar.

Vejo adiante. Dentro da mata escura requer justeza na visão. A mata sombria esconde mistérios. Perigos iminentes e reais. Tudo é energia, densa e sutil. Forças opostas se duelam. Tudo está em conexão.

É preciso volitar em direção a luz. Avistar onde os raios do sol se vertem na mata. Bem no alto da folhagem. Parece descomplicado. Algo diferente está no ar. A floresta escura e densa fica distante.

Parece vasto o horizonte de possibilidades. Alguns desenlaces estão a vista. Ainda distante ano luz de todo merecimento. Muitos enigmas a trilhar. Então sigamos caminhando!

Espelho D’água

“ Paro à beira do caminho para me ver no espelho d’água. ” 

Não me encontro nesse dia de domingo. Com pensamento mergulhado em água turva, minha alma se perde no caminho. Respiro fundo. Fecho os olhos por um instante. Dia lindo, azul entre nuvens. Apesar da mente enevoada tenho esperança de ver sob a água escondida. 

A vista ainda confusa. Surge um mar de plantas. São como um filtro d’água. Liberam oxigênio, nutrientes e sombra para os cansados. As virtudes navegam lá no fundo. Decisões são tomadas na flor d’água. Aqueles répteis inertes, da mente, mergulham em direção ao abissal. 

Sei que ainda habita monstros nas profundezas da minha alma. Busco a reflexão em águas claras. A mente em movimento trouxe energia e clareza. Como é difícil permanecer limpo nesse oceano dos humanos. Há pouco ao adentrar em água cristalina a lama escorre. Inunda transparência.  

Estou sozinho a falar com meu reflexo na água. Água limpa, vejo o fundo. Vejo também, muitas vezes, uma vida ilusória. É bonita, fico confuso pois encanta a visão. Até consigo ver o passar do vento. Aos olhos, parece bambo e sem foco. Na espreita, cuidado com a quimera da vida real. 

No reflexo o espelho d’água ecoa os pensamentos. A vida é assim, quando eu mudo, muda. A vida é simplicidade. Fuja da distração dessa urbe. Logo ali superei as águas turbulentas. Nesse remanso, navego feliz, na certeza que tudo é breve. Vejo o melhor em tudo. E tudo será melhor. 

O melhor espelho d´água é aquele que vejo o melhor de cada fase da vida, das coisas e das pessoas. A verdadeira imagem não é exatamente aquela que consigo ver. O reflexo de tudo de bom ou mal refleti no espelho da vida. Ao olhar para um espelho d’água não se iluda.

Ovos da Galinha – Parque Nacional de Itatiaia

O maciço de Itatiaia revela grandes afloramentos rochosos em um processo erosivo de milhões de anos.

Pela manhã partimos na caminhada, a partir do camping Rebouças, contemplando as belas paisagens no planalto de Itatiaia.

As montanhas e pedras de Itatiaia, com formas no mínimo curiosas, receberam nomes como Agulhas Negras, Altar, Asa de Hermes, Assentada, Camelo, Couto, Maçã, Prateleiras, Sino e Tartaruga.  

Uma formação rochosa em especial é chamada de Ovos da Galinha. Localizada entre a cachoeira do Aiuruoca e Pedra do Sino.

No cume da Pedra do Altar se avista os ovos como cinco pedras sobre uma pequena elevação rochosa.

A princípio parecem pequenas, no entanto quando nos aproximamos, os Ovos da Galinha impressionam pelo tamanho. Quanto ao formato, toda imaginação é valida para vê-las como ovos de uma galinha.

Entretanto, uma delas parece uma “mão gorducha” e outra uma “galinha da angola”. Outra curiosidade foi encontrar no chão de pedra uma depressão em formato perfeito de um “coração”.

Dia de muita nebulosidade, ventania e calor. Aparentemente as chuvas mantiveram-se na região de Visconde de Mauá e Itatiaia.

É trilha para espiar as montanhas com calma.

Nesse caminho avistamos as Prateleiras, Agulhas Negras, Asa do Hermes, Pedra do Altar, Morro do Couto e Pedra do Sino.

No meio da tarde, de volta ao camping, nada melhor que um banho revigorante na represinha do Rebouças. Depois um café para esperar o jantar em noite de lua cheia.

 

Enseada da Cajaíba

” Em 2021 exploramos todas as trilhas no Saco do Mamanguá. Já no início de 2022 começamos pela Enseada da Cajaíba e Ponta da Juatinga.”

De Parati Mirim, numa pequena embarcação e manhã ensolarada, seguimos em direção à Praia Grande da Cajaíba.

O mar estava bem agitado depois do Saco do Mamanguá, que se acalmou ao chegar na praia grande. Confesso que contei os minutos até pisar novamente em terra firme.

Tocamos a praia grande ao meio dia. Paramos para almoço e seguimos na travessia da Praia Grande da Cajaíba até o Pouso da Cajaíba.

Sem pressa, apreciando a paisagem, atravessamos passo a passo, sentindo o calor da areia daquela praia selvagem, batizada de Itaoca.

Na sequência, chegamos em Calhaus, praia e pequeno vilarejo protegido por pedras da encosta ao mar. Logo, gastamos um dedo de proza com caiçara que restaurava sua rede.

Ao chegar em Itanema, antes da praia, parada em um poço para banho e descanso debaixo de um grande chapéu de sol.

Acenamos aos moradores das poucas casinhas na praia. Subimos a última encosta até nosso destino final, a praia Pouso da Cajaíba.  

Caminhamos a tarde toda, mas ainda havia tempo de sobra para apreciar o entardecer no Pouso da Cajaíba. Depois seguimos a procurar o Mar do Caribe.

Pedra das Araras

” Após ter feito a travessia Saco do Mamanguá-Vila do Oratório duas vezes, sendo, uma vez em cada sentido. Agora, explorando a Enseada da Cajaíba e suas Pedras.”

No segundo dia, logo cedo subimos uma hora de caminhada em direção ao interior da vila. Do alto do Pouso da Cajaíba, avistamos uma panorâmica do mar.

Chamaria esse local de “Trilha Ossada da Baleia”, dado que encontramos uma vertebra de baleia próximo a uma gigantesca pedra em formato de baleia.

De volta a praia, um cafezinho na padaria e seguimos até o mirante da Pedra Frutada. Não tem nenhuma indicação, então perguntando aqui e ali, chegamos lá. Linda vista!

Depois fomos prosear com o Sr. Zaqueu sobre a Pedra das Araras. Uma trilha que pode ser confusa, com algumas bifurcações e matagal arranha-gato.

No topo da Pedra das Araras descobrimos uma visão de uma imensidão de mar a perder de vista.

Nos deparamos também com toda a extensão da Enseada da Cajaíba, da praia Grande até o Pouso, e a escondida praia Toca do Carro.

Como a ventania estava forte, carregou bastante nebulosidade até a encosta, deixando tudo esbranquiçado.

Após horas na Pedra das Araras, a descida foi rápida até o Pouso. Já era meio da tarde quando paramos no Mar do Caribe.

Para fechar o dia, no final da tarde, fomos agraciados com aquela água doce escorrendo da rocha até a areia amarela, ao encontro da pequena praia, de mar azul-esverdeado, a belíssima Toca do Carro.