” Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes. “
Carlos Drummond de Andrade
Ao caminhar na montanha, a Lua surgiu apressadamente durante aquele entardecer. Parecia tão perto como uma mãe protetora, mas não se engane, em outras noites frias ela ficou indiferente e apática, quase não apareceu.
O vento gélido trouxe recolhimento.
Entre a Lua e a Terra as distâncias são verdadeiramente astronômicas e decerto descuidamos de quão distante ficamos de nós mesmos.
Ao amanhecer na montanha, a luz brilhou radiante. Era um novo despertar que aquentou os campistas. A Lua, esplendida no céu, permaneceu ali, até que a claridade tomou conta do dia e ela se foi.
O alvorecer trouxe desprendimento.
Como sempre não vi o lado escuro da Lua e naturalmente dentro de nós habita um lado obscuro, um manto que devemos descortinar.
” Sobre rochas eu ando. Não importa se arenito, basalto ou calcário. Também pode ser granito, quartzito ou até dolomito. Mas especial mesmo é o Filito, Sienito e Xisto. Quem é quem, não sei muito bem, mas eu garanto que caminho sobre rochas. “
O trekking para subir o Pico dos Marins é considerado de dificuldade média-pesada. Como a subida não requer equipamentos de escalada é denominada escalaminhada, ou seja, nos pontos mais difíceis será necessário o uso das mãos em rochas ou arbustos, tanto na ascensão quanto na descida. O uso de cordas pode facilitar em alguns pontos da trilha. Em outros aproveita-se as fendas e agarras, use o máximo da aderência das mãos e pés.
Como sempre, é bom estar acompanhado com alguém experiente para dar dicas, principalmente se é a primeira vez na rocha. Prepare-se para viver uma experiência única. Sentir na pele o esforço físico. Dizer que o coração vai sair pela boca. Dos músculos doerem após passarem dias da caminhada. A sensação pode ser fascinante ou horrível. Estar mentalmente positivo ajuda bastante. Por isso, caminhar sobre rochas não é para qualquer um.
” Nas intempéries da montanha as virtudes humanas são moldadas, às vezes, a duras penas quando não estamos atentos aos sinais. “
Ato I – Entusiasmo
É energia interior que promove a vitalidade para executar o plano traçado.
Ato II – Paciência
É o controle das emoções e desejos, atraindo esperança e bem-estar no dia-a-dia.
Ato III – Coragem
É o exercício do domínio do medo diante de situações difíceis e adversidades da vida.
Ato IV – Flexibilidade
É constante adaptação às circunstâncias e relacionamentos, criando condições para permanecer firme.
Ato V – Disciplina
É ordem em harmonia aos preceitos estabelecidos, com tolerância e perseverança para a vida ser possível.
Ato VI – Generosidade
É verdadeiramente gostar do outro e ajudar sem nada em troca, no constante exercício do desapego e caridade.
” Nas longas caminhadas da vida, de nada vale as virtudes se não mergulhar no interior de si para que o melhor transborde. “
Em abril damos início a Temporada de Montanha. Com a chegada do outono inverno, temos a melhor época para prática do montanhismo, e assim podemos trilhar nas montanhas da serra da Mantiqueira
Diferente do verão com aquele calor intenso e tempestades eletromagnéticas, os dias começam a ficar mais agradáveis até a estação do inverno, onde as temperaturas baixas são impactantes nas montanhas da região sul e sudeste do Brasil.
Ou seja, as temperaturas atingem facilmente abaixo de zero graus célsius. As geadas são comuns. Em condições especiais de clima até podemos ter alguma precipitação de neve nos pontos mais altos da Mantiqueira.
Estamos numa área privilegiada de montanhas e vales, entre as mais altas do Brasil, cujo cenário paisagístico é de imensa beleza. Nas travessias e ascensão aos picos mais altos o desafio é grande e a recompensa muito maior.
O montanhismo é dar significado as coisas simples, ao meio ambiente e ao autoconhecimento. É sentir alegria em uma simples caminhada e ter resiliência nas mais duras travessias.
Ter a satisfação do encontro com aqueles que compartilham da mesma paixão, onde alguns estarão de passagem e outros se tornarão amigos.
Que a temporada seja extraordinária!
Após correr a meia-maratona do aniversário de Caraguatatuba, subimos a serra no domingo seguinte para uma corrida de montanha.
A “Move Trail Run” aconteceu na estancia climática de Cunha / SP com largada no Parque Lavapés. Para não perder a oportunidade fomos na distância de 18 km.
Uma prova bem organizada visando à disseminação da modalidade que teve uma volta promocional onde os atletas correram o primeiro km pelo centro da cidade e passaram ao redor da igreja matriz.
Ao retornar em direção ao Parque Lavapés, desviou para fora da cidade em direção as estradas rurais.
Entre aclives e declives constantes por estradas de terra, o ganho e perda de elevação somou 1.025 metros numa altitude máxima de 980 metros.
Do litoral para serra, a paisagem mudou completamente. Foi tomada por campos verdes e colinas bucólicas.
Após o desafio fomos perambular no Lavandário e visitar a 18ª Festa do Pinhão em Cunha.
Em dois finais de semana participamos de duas provas. Esta foi no litoral e a outra na Mantiqueira. Cada uma com altitude e tipo de terreno bem diferente.
Descendo a Serra do Mar em direção ao litoral norte de São Paulo para participar da Meia-Maratona do Aniversário de Caraguatatuba.
Uma organização com boa estrutura de prova.
Uma meia-maratona no litoral tem suas vantagens. Além do belíssimo visual da costa, o percurso foi praticamente cem por cento plano e com posto d’água a cada 2 km.
A largada da meia maratona aconteceu na orla da praia do Porto Novo. Como saiu um pouco antes das 7:30 da manhã, pegou de surpresa alguns atletas que ainda estavam chegando.
No domingo seguinte, a estória foi outra quando subimos a serra para outro desafio. Vamos contar no próximo post.
A vida caiçara é dura, mas…
Observando os barquinhos de pesca chegando na praia, me ocorreu a lembrança dos pescadores e seus causos.
” Das longas jornadas em alto mar quando até os mais experientes são assolados pelo enjoo. O perigo das grandes ondas que lavam a alma. Onde se manter a bordo é uma luta pela sobrevivência. Vida de pescador é difícil.
A pesca artesanal se acabando devido a competição com os pescadores predatórios. Hoje em dia, sem tanto peixe, alguns vão longe para dentro do grande mar. Outros vão embora para a cidade, na esperança de um trabalho melhor, que não existe. Alguns se organizam em associações para se fortalecerem.
Existe esperança no ecoturismo sustentável de base comunitária, para complementar a renda que não vem mais da pesca abundante. Eles resistem em suas terras e parecem felizes. “
A TRAVESSIA
Esta travessia do Saco do Mamanguá, Enseada da Cajaíba, Ponta da Juatinga, Cairuçu das Pedras, Ponta Negra, entre Parati Mirim e Vila do Oratório / praia das Laranjeiras, litoral sul do Rio de Janeiro, é um trekking singular no desafio da travessia e das belas paisagens costeiras. A travessia pode ser realizada em ambos os sentidos. Para facilitar o deslocamento, o trekking foi realizado fora da alta temporada e do clima de verão.
As trilhas bordejam encostas, em subidas e descidas pela mata atlântica, até o encontro com enseadas e praias paradisíacas. No período da tarde devido ao sol e alta umidade, as paradas eram frequentes. Com isso mergulhávamos na observação respeitosa do modo de vida simples das comunidades que habitam essa região costeira. O entardecer era louvável na expectativa de cumprir o percurso, achar um acampamento para pernoite e poder contemplar mais um pôr do sol.
Em cada acampamento, deixamos o local onde acampamos igual como o encontramos. O lixo produzido foi trazido conosco e descartado em local apropriado.
A vida caiçara é feliz!