Um Louva-Deus no Paraíso – Parati Mirim

Após algumas trilhas e caminhadas mais longas na região de Parati Mirim, passamos o último dia em trilhas leves e de curta duração.

Pela manhã já tínhamos percorrido três trilhas: caminhada até uma praia e mangue no Saco do Fundão e uma cachoeira no rio Paraty-Mirim. Em seguida partimos para a praia do Furado. Foram 30 minutos de caminhada em estrada de terra e trilha.

Um paraíso de praia de água transparente, sem onda, praticamente uma lagoa esverdeada, numa extensão de 40 metros de areia. Uma verdadeira piscina natural para se passar horas a beira mar. A praia fica bem em frente a ilha da Cutia. 

Explorando os arredores, no canto direito da praia, entre as pedras, encontramos um louva-deus. Parece um inseto tranquilo, mas não se engane, o louva-deus é um inseto predador nato que evoluiu para ser o melhor caçador.

Carnívoro e inteligente. O louva-deus tem uma dieta a base de insetos, anfíbios e até pequenos répteis. Acredite se quiser, o louva-deus aprendeu a pescar pequenos peixes, como o barrigudinho, e caçar pequenos pássaros como o beija-flor.

E ter um nome como esse não é para qualquer um: por conta de suas patas dianteiras, quando aproximadas, dão a impressão de que ele está rezando.

Floresta de Coníferas – Caminhar é Preciso

Na juventude da alvorada me levanto descansado. A barriga reclama por um reforçado café matutino. Com a mente desperta procuro a janela para ver a serra. Graças a cerração matinal só consigo ver as colinas na vizinhança.

No verde altivo da estrada vejo o céu azul e a encosta coberta por pinheiros. Sigo no aclive ligeiro. Estaciono. Procuro pelo sol que sacode a neblina. Vejo a floresta de pinheiros. Olho para o alto, me surpreendo com as coníferas à frente.

Agacho para conferir o solo pobre e seco. Procuro pelas pinhas ovaladas. Percebo uma floresta antiga de pinheiros escamosos. Ainda na sombra do frio matinal me aconchego para dentro da floresta. Solitário, no silêncio olho para o céu azul. 

Chamamos as pinhas de cones em atenção ao nome coníferas. Não há flores e nem frutos. Neste dia não houve sonido entre as árvores. O vento ficou preso nas colinas ao longe. Se eu pudesse subiria no topo de um pinheiro para ver o horizonte.  

Logo alcanço o topo da colina e busco apurar a vista. Entre os galhos e troncos vejo minha terra nativa. O dia azul destaca a urbe vertical. Soberana nos arranha-céus. O progresso não para. Observo a beleza da curvatura do Arco da Inovação.

Mas aqui dentro da floresta, ser pinheiro longevo é ser forte. Se o minuano chega farto, o pinheiro verga, mas não lasca. Da visão do interior, dá alegria ao caminho as coníferas de semente nua e do emaranhado dos troncos desgarrados.

Impacto Imediato – Meio Ambiente

Impacto imediato é ver uma foto de um paraíso natural como este, não é mesmo? Nos conforta e traz boas memórias, como aquelas férias na praia!

Outro impacto imediato é o desconforto ao constatar que na mesma praia encontramos lixo. De fato, o ser humano joga coisas, muito delas reutilizáveis, que a natureza não pode digerir.

Encontramos todo tipo de lixo, alguns como uma parte de um brinquedo, garrafas de plástico e vidro, isqueiro, tampa de um ventilador, barbeador descartável, sola de um calçado e isopor.   

A mãe natureza é muito benevolente com a humanidade. O planeta já manifesta duras mudanças ambientais. Em um local contaminado é impossível habitar qualquer ser vivo saudável.

Esta poluição que chega nas praias é uma pequena parte. Todo ano, milhões de toneladas de plástico chegam aos Oceanos da Terra, mantando milhões de aves e animais marinhos.

A sociedade civil, governos, empresas, comunidade científica-acadêmica são pessoas. A maior ameaça ao nosso planeta somos nós mesmos, mas cada um de nós pode ajudar na redução da poluição ambiental.   

Os mutirões nas praias com engajamento da população local e turistas ajuda, mas o certo mesmo são políticas e ações públicas para combater as poluições das atividades humanas.

É urgente intensificar a educação ambiental nas escolas. Importante conscientizar e esclarecer sobre a preservação para o consumo e uso sustentável dos recursos e gravidade da poluição nos mares.  

Temos soluções e tecnologias. O maior desafio é a mudança de atitude, vontade econômica e política; E união da sociedade civil, governos e organizações privadas para salvar nosso Planeta Água.

Donde Eu Vim – São José dos Campos

Donde eu vim, os primeiros habitantes no final do século XVI eram os índios Puris com os jesuítas formaram a Aldeia do Rio Comprido, que em 27 de julho de 1767 foi elevada a vila de São José do Paraíba, distante quinze quilômetros de onde está localizada a Igreja Matriz. Em meados do século XIX com a produção de algodão para exportação houve um crescimento econômico.

Éramos rurais e nascemos com vocação tecnológica. Hoje somos referência em inovação e empreendedorismo no Brasil. Uma cidade com qualidade de vida, grandes extensões de ciclovias, muitos lugares para caminhar e correr.    

Donde eu vim, tantas mudanças. Em 1864 de vila a município, em 1871 o nome da cidade mudou para São José dos Campos, em 1869 o primeiro bairro de Santana, em 1921 inaugurado o Mercado Municipal e 1951 chegou a rodovia Presidente Dutra. Fomos uma estação climática e cidade sanatório no tratamento da tuberculose, história preservada com o tombamento do parque Vicentina Aranha.

Qual Joseense que não conhece a praça do Sapo, o parque Santos Dumont, o Banhado e a primeira fábrica e fazenda da tecelagem Paraíba, hoje Parque (da Cidade) Municipal Roberto Burle Marx.  

Donde eu vim, a partir da década de 40 e 50 ocorreu a criação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA, e ao redor, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial – DCTA, um complexo para pesquisa e desenvolvimento aeroespacial, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, e o boom industrial na cidade.

Em 1969, nasceu o avião Bandeirante e foi criada a Embraer, atualmente a terceira maior fabricante mundial de aviões. Em 2006 foi criado o Parque Tecnológico de São José dos Campos e a partir de 2011 incorporado o Centro Empresarial.

Donde eu vim, hoje somos mais de 730 mil habitantes, a segunda maior população do interior de São Paulo, a maior cidade do Vale do Paraíba, com área de 1.100 km2 e distritos de Eugenio de Melo e São Francisco Xavier.

Em 2019, a pesquisa Indicadores de Satisfação dos Serviços Públicos – Indsat, indicou primeiro lugar no grau de satisfação com qualidade de vida entre as 10 maiores cidades do estado de São Paulo, tendo na sustentabilidade a melhoria da qualidade ambiental e investimentos em parques públicos. Dentro dessa área total existem áreas de serrado e mata atlântica.

Donde eu vim, em 2018 o distrito de São Francisco Xavier ganhou um parque público na antiga fazenda do Bose, que abriga um casarão do século XIX e metade da área está em floresta nativa.

Aos pés dessa parte da Serra da Mantiqueira, faz divisa com Camanducaia – Monte Verde – MG. Dos 500 m de altitude na planície do rio Paraíba do Sul alcança 2.080 m no Pico do Selado, o ponto culminante do município.

O distrito de São Francisco Xavier é Área de Proteção Ambiental, Estadual e Federal, e suas matas abrigam o muriqui, o maior primata das Américas.

Donde eu vim, em 2020 a Fundação Arbor Day e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura anunciou São José dos Campos como uma das três cidades reconhecidas no programa “Cidades de Árvores do Mundo”. Para receber o reconhecimento, a cidade teve de provar o compromisso com as árvores, a silvicultura, o manejo e criação de florestas urbanas.

Continuar preservando e desenvolvendo o verde na vida do Joseense faz de São José dos Campos uma das cidades mais arborizadas do país.

Donde eu vim, temos um jequitibá-rosa, patrimônio Joseense, protegida por lei, situado no distrito de Eugênio de Melo. Atualmente sustentado por hastes de ferro é um dos símbolos da cidade. Um verdadeiro ancião, conhecida como o Gigante Eugênio, com 27 m de altura, uma copa de quase 30 m e idade estimada em até 700 anos.

Somos privilegiados por estar próximo as maiores montanhas do país, na serra da Mantiqueira, e do litoral norte e sul de São Paulo, um dos litorais mais bonitos do Brasil.

Donde eu vim, em 2022 São José dos Campos foi certificada como a primeira Cidade Inteligente do Brasil. A certificação foi concedida pela ABNT (NBR ISO 37120, 37122 e 37123) regulamentadas pelo World Council on City Data / ONU, em serviços urbanos, qualidade de vida e práticas sustentáveis, destacando aplicação tecnológica e boas práticas de gestão na qualidade de vida da população.

Por tudo isso, somos orgulhosos de sermos Joseense. Parabéns a todos que vivem em São José dos Campos pelos 256 anos de prosperidade, oportunidade, responsabilidade, qualidade de vida, amor, sonhos e liberdade!

Há dois anos atrás tivemos a grata apresentação da Esquadrilha Ceu, formada por pilotos da aviação de caça e oficiais da reserva da Força Aérea Brasileira, quando da comemoração do aniversário de 254 anos.

Parabéns São José dos Campos!

256 anos

Brasileiros – O Brasil é o País do Hoje

” Brasileiros, chegou a hora de realizar o Brasil. “

Mário de Andrade

” Que o dia nasça lindo para todo mundo amanhã. Com um Brasil novo. “

Cazuza

” O Brasil é o país do futuro, mas para tanto é preciso decidir que o ‘futuro’ é amanhã. E, como bem sabe, isto significa que as decisões difíceis têm que ser tomadas hoje. “

Margaret Thatcher

Luz do Dia – Nome da Nau

Chega apavorando geral, não deixa a gente dormir mais um bocadinho. Com a nau pronta para partir, clamo pelo vento que não se vê e rogo pela vida. Rumo mar adentro, lanço a rede da justeza e retidão. A colheita é vida para o sustento de cada dia. Na volta clamo por proteção no mar revolto. Que essa luz do alto me ilumine. Bem cansado e feliz por mais um ‘dia de trabalho’.

Pôr do Sol – Nome da Nau

Não canso de ti ver todos os dias. Vai embora devagarinho. Muitas vezes nem aparece. Tudo bem né, sei da sua grandeza e da humildade para deixar a lua chegar de mansinho, iluminando a vereda. Apesar da noite fria, me acolho em um porto seguro. Logo, a luz e calor me aquece outra vez, para ganhar força e arrastar a nau até o mar. Então chega radiante a “Luz do Dia”.

Voltar a Ser Livre – Sonho ou Realidade

Agora a liberdade está tão real nos sonhos. Às vezes questiono minha sanidade. Acordar e lembrar do sonho, voltar a dormir e sonhar de onde o sonho parou. Isso sim é maluco. Em um deles subi a colina com mais dificuldade, não desisti. Percebi tudo em preto e branco. Cadê as cores? Cadê a alegria? Senti a respiração ofegante. Olho para trás e nada vejo. Então fui em frente. Caminhei muito mais, por horas a fio. Sei que espírito livre precisa de corpo físico inanimado. Sempre são incansáveis horas de trabalho, as vezes estudo, mas sei bem que muitos deles nada lembro. Certo de que ainda não estou preparado para lembrar de todos. Acordo descansado. Agora tenho outra batalha para lutar. Sei que nesse orbe turbulento é preciso ser guerreiro nas atitudes do bem comum. Vou para o espelho, não é um sonho. Olho no olho, vai encarar? Elevo um sorriso silencioso e respeitoso. Sim existem inimigos lá fora, mas o maior deles acabei de confrontar. Então, coragem! Vamos à luta para lá fora voltar a ser livre.

Uma Baita Travessia – Ilhabela

Logo no primeiro aclive, um mar imenso, azul e misterioso. Atentei a batida das ondas na encosta. Sim, na travessia do canal, água calma como uma lagoa e na costeira sul-leste da ilha, impera grandes ondas, fortes correntes marítimas e muitos naufrágios.

Do Borrifos, a caminhada em estradinha de terra se transforma em trilha de pedras e terra batida, alternando planos e desníveis, longe da encosta, agraciado pela sombra da mata e refrescante água doce nas cachoeiras da Lage, Areado e Saquinho.

Após algumas horas, a trilha sai da mata, se acolhe próximo a encosta no estonteante mirante do Bonete. Ali bem escondida, a comunidade caiçara do Bonete vive tranquilamente, onde se proseia com os caiçaras as histórias, lendas e mistérios da ilha.

No segundo dia, após bom descanso e café da manhã reforçado, seguimos na travessia subindo o mirante da Barra para nos despedirmos do Bonete. Olhando para o lado sul da ilha, uma extraordinária vista da Ponta do Boi.

De volta a trilha, em pouco tempo alcançamos a praia das Enchovas. Admirável praia, deserta, por toda extensão literalmente revestida em pedras, até tocar o mar no canto oposto, onde as pedras se agigantam em belas formações para mar adentro.

Atravessamos um refrescante riacho para seguir, na margem oposta, a trilha em direção à praia de Indaiauba. Outra pausa, deste ponto a travessia se afasta da costa, segue picada na mata, atravessa charcos, entre aclives e declives dentro do jângal atlântico.

Após horas de travessia, pausa rápida na praia Vermelha e seguimos para praia Mansa e depois até o destino final, a praia de Castelhanos. Era tarde de sábado e rolava aquele futebol na areia da praia. Ficamos por ali mesmo apreciando aquele entardecer.

No dia seguinte exploramos a enseada de Castelhanos, do mirante do Coração ao mirante, cachoeira e praia do Gato. Inclusive na praia do Gato, debaixo das pedras, pudemos temer as águas agitadas e perigosas das marés e ondas fortes.  

No último dia, subimos a estradinha de terra em direção a balsa para voltar ao continente. Nos despedimos da comunidade caiçara de Castelhanos. Naquela manhã o mar estava bem calmo e a praia deserta, encoberta por um misterioso nevoeiro.

Em cada acampamento, deixamos o local onde acampamos igual como o encontramos. O lixo produzido foi trazido conosco e descartado em local apropriado.