Salto dos Macacos – Parque Estadual Pico do Marumbi

A trilha do Salto dos Macacos está localizada na região de Morretes, dentro do Parque Estadual Pico do Marumbi, no estado do Paraná. O acesso é feito pela histórica estrada Caminho do Itupava, até o posto do IAP em Porto de Cima, a cerca de 11 km do centro de Morretes.

A entrada no parque é gratuita, mas é necessário realizar um cadastro no posto e iniciar a trilha até às 9h, com retorno obrigatório até às 14h. Isso porque, no início do percurso, há duas travessias pelo rio Nhundiaquara, que podem se tornar perigosas em caso de cabeças d’água. Em dias com previsão de chuva, o acesso pode ser fechado sem aviso prévio por motivos de segurança.

A trilha começa com uma caminhada de aproximadamente 250 metros pela estrada, seguida pela primeira travessia do rio Nhundiaquara. A partir daí, o trajeto se torna mais desafiador e imersivo, subindo a Serra do Mar paranaense com um ganho de altitude de 300 metros – apesar disso, não apresenta grandes dificuldades técnicas.

O caminho segue por dentro da mata atlântica, passando por trechos de atoleiros, riachos e, ocasionalmente, obstáculos como árvores caídas. Após cerca de 3 horas de caminhada, o final da trilha desce em direção ao leito rochoso do rio dos Macacos.

O ponto alto do passeio são as piscinas naturais de águas cristalinas, perfeitas para um mergulho revigorante. A surpresa fica por conta do Salto dos Macacos, escondido entre as sombras da mata, inacessível devido ao terreno escarpado e escorregadio. Já a impressionante queda abrupta do rio oferece uma vista deslumbrante do Conjunto Marumbi.

Travessia Serra da Balança

Na subida da Serra da Balança, atravessamos a divisa entre o estado de São Paulo e Minas Gerais, mais precisamente de São Bento do Sapucaí para Gonçalves, em direção aos mirantes da Pedra Alta.

Em pouco mais de 4 km de caminhada em estradinha de terra e trilha, numa subida constante, chegamos na encosta rochosa até os mirantes da Pedra Alta. Um vislumbre de amplitude da paisagem, em tons verde, naquele cantinho da serra do Sul de Minas. Ali fica evidente o vale por onde subimos a serra. Ao lado a Pedra da Balança, e bem ao fundo, a silhueta do Complexo do Baú, composto pelas pedras Bauzinho, Baú e Ana Chata.

De braços abertos contemplamos aquela vista!

Voltamos pelo mesmo caminho em descida, e uma nova subida, agora dentro da mata, até chegar em uma encosta oposta ao lado rochoso da pedra, tendo como primeira vista, um pequeno vale verde, comum aquelas bandas do Sul de Minas. Enfim, em cerca de 3 km de caminhada chegamos no cruzeiro e mais a frente, no ponto mais alto da Pedra da Balança. Era meio dia em ponto. Paramos para lanchar e apreciar aquele outro lado da serra.

Com uma vista de quase 360º, mais próximo avistamos a Pedra do Cruzeiro, Pedra da Divisa e Cachoeira do Tobogã, e bem distante, apurando a visão nos detalhes, a Pedra do Baú, a cidade de São Bento do Sapucaí e a Pedra Bonita.

O retorno é praticamente uma descida constante em aproximadamente 4 km até a cachoeira do Tobogã. E antes de partir, um olhar quase magnetizado pela pedra.

Trilha das Borboletas

A manhã nasceu tímida, envolta por nuvens e algumas brechas de sol. A temperatura era agradável, o vento soprava suave – mas bastaram poucos passos para o calor começar a cobrar seu preço – o suor já escorria pelo rosto.

No início da trilha, atravessamos um riacho, equilibrando-nos sobre pedras e charcos de barro, ainda caminhando em terreno plano. Ao nosso lado, a serra se erguia imponente – o cume, nosso destino final, parecia quase inalcançável lá no alto.

Pouco a pouco, o pasto verde cedeu lugar a uma mata fechada, e reencontramos o mesmo riacho que atravessáramos antes. Suas águas límpidas formavam poços tentadores para um mergulho – mas a jornada estava apenas começando. Seguimos adiante, agora em aclive permanente.

A subida, constante e desafiadora, nos levou por trechos escorregadios e pedregosos. De tempos em tempos, uma janela nas nuvens surgia, permitindo olhar para trás e avistar, pequenino, o vale de onde partimos.

Em uma hora e meia, chegamos à primeira bifurcação, já 375 metros acima do ponto de partida. Mais trinta minutos de esforço e vencemos a segunda bifurcação, acumulando 555 metros de desnível – a metade do caminho. Foi aí que a trilha se mostrou desafiadora: o terreno ficou mais íngreme, o barro e as pedras tornaram cada passo uma luta.

Após três horas de caminhada, atingimos a terceira bifurcação, com um desnível de 970 metros. Fizemos uma pausa rápida para recuperar o fôlego e, com as energias renovadas, enfrentamos o último trecho de subida rumo ao cume do Pico do Itapeva.

Em cerca de três horas e meia, completamos a ascensão, alcançando 1.170 metros de ganho de altitude. Hora de hidratar, comer frutas e a famosa “misturinha” para reabastecer as forças.

A nebulosidade continuava dominante, permitindo apenas vislumbres do vale e da serra abaixo. Na descida, depois da terceira bifurcação, avistamos dois pequenos morros convidativos, que prometiam vistas panorâmicas incríveis e, atravessando um deles, poderíamos visitar uma cachoeira e ruínas de uma antiga arquearia. Uma tentação a ser explorada em outra aventura.

Por volta do meio-dia, o céu escureceu de repente – e a tempestade desabou. Bem diferente da previsão, a trilha virou um riacho em fúria, com pequenas cascatas se formando onde antes era só barro e pedra. A dificuldade na descida triplicou até chegar na segunda bifurcação. Depois disso, a chuva diminuiu, mas o terreno continuou traiçoeiro até o Ribeirão Grande.

Foi uma jornada intensa, desafiadora e inesquecível. No fim, somamos um impressionante desnível em altitude de 2.340 metros entre subida e descida.

Cada Pedra uma História

Apesar de já ter explorado muitas trilhas pela Serra da Mantiqueira, essa jornada teve um sabor especial. O formato de “travessia e circuito” trouxe um desafio a mais – não apenas pela distância percorrida, mas pelo desnível em plena Mata Atlântica. Deixamos de lado a tranquilidade carnavalesca de São Francisco Xavier para nos perdermos na beleza do entardecer avermelhado que tingia as montanhas do Sul de Minas, e à noite, a lua nova, tímida, despontava sobre Monte Verde.

A natureza, como sempre, nos reservou surpresas. Após cruzarmos o Vale dos Duendes, devido ao som de galhos quebrando, fomos presenteados com a rara visão de um grupo de muriquis – serenos, balançando entre as copas das árvores. Mas o grande susto da expedição veio à noite, já acampados na mata próxima à Pedra da Lua. Um ruído constante, como de uma “garoa fina”, revelou-se algo inusitado – centenas de formigas cruzando nosso acampamento.

No dia seguinte, a trilha mostrou sua face mais impiedosa. A metade do percurso foi marcada por obstáculos naturais – árvores e bambus caídos cobrindo a trilha, exigindo fôlego e atenção redobrada. Ainda assim, a recompensa veio com o entardecer, quando alcançamos o Acampamento dos Mirantes. Como de costume, após o jantar, seguimos até o mirante da Pedra Bela Vista. Lá, mais uma vez, nos rendemos à vista noturna e estonteante do Vale do Paraíba.

Foi uma aventura repleta de descobertas – entre elas, a bela revelação da Pedra da Lua, do lado mineiro da serra. Dali, cada formação rochosa parecia contar uma história, compondo uma vista de beleza singular que ficará para sempre na memória.

Belvedere do Serrano

Após trilhas e passos, cansados e plenos,

Pelas pedras que guardam segredos terrenos,

Cruzamos a serra ao entardecer,

Entre Minas e São Paulo, a estrada a descer.

E eis que surge, em madeira erguido,

O Belvedere, um sonho esculpido,

Um deck altivo, em brisa envolto,

Que abraça a vista num olhar solto.

O vale se estende em tons de esplendor,

Serrano emoldura o quadro em cor,

E lá no fundo, sereno e pequenino,

São Bento repousa, quase divino.

As sombras vestem as montanhas em véu,

A Balança e a Divisa tocam o céu,

Enquanto, iluminado, imenso a brilhar,

O Baú, Bauzinho e Ana Chata se põem a dançar.

Belvedere, poesia esculpida em olhar,

Janela do mundo a nos encantar,

Onde a alma repousa, onde o tempo é brisa,

E a vista, infinita, jamais se desfaz.

Um Lugar de Grande Brilho

No alto da montanha, sob a luz prateada da lua cheia, o tempo parecia desacelerar. A pequena fogueira crepitava suavemente, lançando sombras dançantes sobre a noite ao redor. O frescor da altitude trazia o cheiro da terra e da lenha queimando, enquanto as estrelas, incontáveis e brilhantes, se espalhavam e sumiam com a bruma aparente, como um manto sobre nós.

Lá embaixo, no vale, as luzes das cidades piscavam como vagalumes, um oceano dourado em movimento lento e cintilante, revelando histórias silenciosas de vidas entrelaçadas. Mas ali, no topo do Diamante, éramos nós, o fogo e a imensidão do universo. Tanto que, na quietude da noite, ouvi o fervor do ronco da água fluida das vertentes, nascidas no silencio da serra.

Quando o amanhecer chegou, tímido, escondido atrás das nuvens, se refletiu nos fachos das nuvens ruborizadas. E assim, o dia clareou o firmamento, tingindo o horizonte com um brilho suave e cálido. Um instante que se fez eterno, como uma alma livre. Senti paralisado nas ações e pensamentos, com a respiração pausada. O coração compreendeu, sem palavras, o significado.

Cachoeira do Índio – Pindamonhangaba

Era segunda-feira, véspera do último dia do ano. A cada passo na trilha úmida e escorregadia, a Mata Atlântica parecia sussurrar segredos antigos. O cheiro terroso da vegetação densa misturava-se com o som da mata viva, com o encanto dos pássaros ecoando cantos de paz. Raízes, lama, descidas e subidas íngremes testavam o nosso fôlego. E então, lá estava ela. A imponente Cachoeira do Índio surgia como uma força da natureza, escondida no coração da mata virgem. Seus cem metros de águas turbulentas despencavam com uma fúria indomável, criando uma névoa refrescante que se misturava ao vento. O rugido da água ecoava pela floresta, um lembrete do poder bruto e da beleza selvagem do mundo natural. Era mais do que uma paisagem, era um momento gravado na alma.

Feliz e Próspero 2025!

Pura Conexão com a Natureza

Desta vez, como ninguém é de ferro, descemos a Serra do Mar, com amigos de São Paulo, para fazermos duas trilhas fáceis, no sul do Rio de Janeiro, região de Parati Mirim.

O sábado amanheceu cinzento e garoando, então, pé na trilha da Praia do Furado. A cada passo um tesouro natural foi revelado: um trecho da mata atlântica, o rio Parati Mirim, a pequena Praia da Bruna para finalizar na Praia do Furado. Um recanto de quietude e calmaria, escondido no Saco do Fundão. Praticamente um aquário natural de água cristalina. Um convite ao mergulho para avistar cardumes de pequenos peixes, conchas do mar e esqueletos de bolachas-do-mar. Uma praia abrigada, sem ondas, quase selvagem.

Na sequência, parada na praia de Parati Mirim para celebrar com os amigos de São Paulo. Ao final do dia, pernoitamos no Remo Hostel, uma hospedaria embrenhada na mata.

O domingo amanheceu nublado com um tímido sol. Após café da manhã pegamos o barco no cais de Parati Mirim. Seguimos para o Saco do Mamanguá, em um mar sossegado, até a Praia do Cruzeiro. Deste ponto, iniciamos a trilha, numa subida constante até o Pico Pão de Açúcar. A 425 m de altitude, com nuvens indo e vindo, a vista se abriu aos poucos. Em dias sem nuvens, conseguiremos avistar diversas praias do Saco do Mamanguá, Ilha do Algodão, Ilha Grande, PE da Serra do Mar, PN da Serra da Bocaina e Pedra do Frade.

Um final de semana de pura conexão com a natureza. Foram 6 quilômetros de trilhas, conectado com a simplicidade local e a beleza natural do litoral sul do Rio de Janeiro.

Temporada de Montanha 2024

Começamos a temporada em maio, no Parque Nacional de Itatiaia, com Morro do Couto, Circuito Cinco Lagos e Pedra do Altar. O desafio mesmo foi a Travessia Rancho Caído passando pelos Vales do Aiuruoca e dos Dinossauros, acesso a Pedra Ovos da Galinha, ascensão a Pedra do Sino, Picos Marombinha e Maromba, e visita as Cachoeiras Rancho Caído, dos Macacos e do Escorrega.

No final de maio e início de junho trilhamos a meia Travessia Marins-Itaguaré, sentido ida-volta Itaguaré-Pedra Redonda, com registro de mínima de 8ºC negativo no acampamento base Itaguaré. Ainda em junho visitamos os cinco mirantes na Trilha dos Mirantes com acampamento selvagem a 2.000 m de altitude, Serra da Mantiqueira.

Em julho, com amigos de São Paulo, fizemos um bate-volta até a Pedra do Abismo, Serra dos Poncianos, e visitação a Pedra da Onça, do Livro, Bosque dos Duendes e Pedrão Cheiro da Mata. Retornamos ao Parque Nacional de Itatiaia nas trilhas Pedra da Maça/Tartaruga, Base Prateleiras, Toca do Índio, Chapada da Lua, Mirante Cabeça do Leão e Pedra do Registro/Paredão dos Enamorados.

Em agosto retornamos na Trilha dos Mirantes em um bate-volta. Finalizamos a temporada em setembro, nas trilhas do Parque Estadual Pico do Marumbi na serra paranaense, nas trilhas do Caminho do Itupava – Cadeado e IAP Prainhas, visitação a Pedra Lascada, Cemitério dos Cadeados, Rochedinho, Rio Nhundiaquara, Cachoeira dos Marumbinistas e Trilha Frontal até o Pico Olimpo.

Contabilizamos 18 dias de trilhas e travessias em montanhas, atravessando serras e vales, bosques e matas, picos e cachoeiras, em 148 km e 84 horas.

O Canto da Floresta

Era manhã de primavera e a floresta despertara lentamente sob uma névoa suave, úmida, impregnada de aromas florais e terrais, sobre os primeiros raios de sol, um espetáculo de luz e sombra. Era uma sensação estranha, a floresta estava mais íntima. Fechei os olhos e respirei profundamente. Senti a névoa dançar ao redor, sob um manto de encanto e mistério. Um lembrete de que a vida fervilhava em cada canto.

Algo diferente pairava no ar. Pela secura do tempo, o caminho estava coberto de folhas e raízes. Da terra brotava uma energia preguiçosa. As serpentes deslizavam silenciosamente sobre as folhas secas, enquanto que os roedores espreitavam astutamente sobre os arbustos. As flores começaram a desabrochar, ainda acanhadas dentro da selva escura, e ao apurar o olhar, os insetos dançavam sobre as folhas.

Uma verdadeira sinfonia agitava a floresta, os pássaros pareciam compartilhar alegrias e segredos. Estavam todos por ali, apesar que mal conseguia avistá-los. Desta vez não haviam pássaros coloridos exibindo suas plumagens. O canto era consistente, obstinado e requintado. Era como se cada canto fosse uma celebração a vida. Naquele dia a floresta amplificou todos sons e nos presenteou com a magia da primavera.