Travessia em Montanha

” A travessia de uma montanha revela tanto a força dos nossos passos quanto a grandeza dos nossos sonhos. “

A travessia em montanha é uma jornada desafiadora e inspiradora que pode nos levar ao limite físico e mental. É uma experiência que nos permite conectar com a natureza de uma forma profunda e nos desafia a superar obstáculos e medos.

Quando começamos a trilhar o caminho, somos recebidos pela imponência das montanhas que se elevam diante de nós. A grandiosidade da paisagem nos lembra de nossa pequenez diante da natureza e desperta um sentimento de humildade. A cada passo, sentimos a energia da montanha nos impulsionando para seguir em frente.

A travessia em montanha exige preparo físico e resistência. É necessário enfrentar trilhas íngremes, terreno acidentado e condições climáticas adversas. Mas é exatamente nesses desafios que encontramos força e determinação. Cada subida e descida nos ensina a persistir, a encontrar equilíbrio mesmo nas situações mais difíceis.

Além dos desafios físicos, a travessia em montanha também nos proporciona momentos de introspecção e autoconhecimento. Durante as horas de caminhada, temos a oportunidade de refletir sobre nossas vidas, nossas escolhas e objetivos. A montanha nos convida a deixar para trás o cotidiano e encontrar clareza em meio à natureza.

A medida que alcançamos o topo da montanha, somos recompensados com uma vista panorâmica de tirar o fôlego. A sensação de conquista e admiração diante da beleza natural ao nosso redor é indescritível. No momento em que atingimos o pico, contemplando o horizonte, sentimos nosso coração em conexão com o mundo.

A travessia em montanha também nos ensina sobre trabalho em equipe e solidariedade. Muitas vezes, realizamos a jornada com amigos de aventura, compartilhando momentos de alegria, dificuldade e superação. Nos momentos em que enfrentamos obstáculos maiores, encontramos apoio uns nos outros, fortalecendo a confiança mútua.

No final da travessia, quando voltamos para casa, carregamos conosco as lembranças, aprendizados e transformações que ocorreram durante essa jornada. A experiência de atravessar uma montanha nos torna mais resilientes e gratos. Aprendemos que podemos superar desafios, nos reconectar com a natureza e descobrir nossa força interior.

A travessia em montanha é uma metáfora poderosa para a vida. Ela nos lembra que, embora o caminho possa ser difícil e repleto de obstáculos, se mantivermos a determinação e a vontade de avançar, seremos capazes de alcançar grandes alturas e descobrir um mundo de possibilidades além dos limites que impomos a nós mesmos.

Mountain Festival – São Bento do Sapucaí

O Mountain Festival, 19 a 21 de maio de 2023, foi um encontro de todas as tribos da montanha, em São Bento do Sapucaí, que é um point de escalada e esportes de montanha, tendo o Complexo da Pedra do Baú como um dos principais atrativos.

O festival reuniu os apaixonados pela natureza e doidos por esportes de aventura, como trilheiros, montanhistas, escaladores, ciclistas, corredores e aventureiros, como também, turistas, comunidade da cidade e região Sul de Minas e Vale do Paraíba.

Um evento para os praticantes de hiking, trekking, climbing, boulder, slackline, mountain bike, paraglider, alta montanha e ciclo viagem, com atenção as práticas seguras, respeito a natureza e as populações locais.

Uma feira para inspirar os iniciantes nos esportes de montanha, através de oficinas, atividades esportivas e de lazer, expositores, gastronomia e música.

Os destaques no Mountain Festival 2023, foram:

Palestras de André Braga, Andreza Texeira, Cibelle Magalhães, Edemilson Padilha, Ernesto Stock, Guilherme Cavallari, Homero Ferreira, Karina Oliani, Leandro Montoya, Marina Dias, Maximo Kausch, Reinaldo Opice, Renata Leite, Roman Romancini e Vivian Telles.

Exposição da artista visual, professora de artes e escaladora Lea Moraes, numa homenagem aos montanhistas que fazem da montanha seu estilo e modo de vida. Na edição passada retratou a si própria escalando, numa pintura realizada em uma das noites do festival.

Campismo por Marcos Pivani, site e aplicativo de celular MaCamp, um guia com mais de 4.000 campings e pontos de apoio a RV’s pelo Brasil. O portal fomenta o campismo no Brasil, com informações de equipamentos, acessórios, dicas e avaliações.

Imagens: Lea Moraes e MaCamp. 

Local: São Bento do Sapucaí – SP.

Balé nos Ares

Era começo da primavera em um dia de céu limpo. O vento frio varria as ondas do mar e o sol matinal deixara a areia da praia numa quentura agradável. Paramos de caminhar e ficamos na espreita para observar as aves. Não era possível ouvir o canto graças ao escarcéu que fazia a ventania e o mar.

Era como um balé, as aves dançando contra o vento. Elas se revezavam a cada nova decolagem e aterrisagem, chegavam de mansinho, em câmera lenta.

Nas alturas, muito acima pairava uma ave de rapina, toda soberana. Examinava as possíveis presas e numa ascendente fez meia volta em direção a mata.

Adentro da praia havia um lagamar e outros pássaros. Todos olhavam na mesma direção como que vendo algo que eu não conseguia perceber.

“A sensação era que o tempo tinha parado… Ah se fosse um deles, faria festa a cada voo, a cada nova perspectiva e cantaria em todos os cantos. Eh, então de volta à terra…”

Percebi que estava sendo observado. Ele estava com olhar fixo em mim, parecia que estava lendo a minha mente.

P.S.: pássaros observados: Talha-mar, Carcará, Garça-branca, Savacu-de-coroa, Gaivota-de-asa-escura e Martim-pescador.

Travessia Marins Itaguaré – Serra da Mantiqueira

A Travessia Marins Itaguaré é uma das clássicas caminhadas do montanhismo brasileiro. Este trekking percorre uma parte da Serra da Mantiqueira, entre São Paulo e Minas Gerais, tendo como pontos culminantes o Pico dos Marins (2.420 m), Pico Marinzinho (2.432 m), Pedra Redonda (2.304 m) e Pico do Itaguaré (2.308 m). Uma travessia de 20 km em 3 dias, considerando ataque aos picos do Marins e Itaguaré.

É uma travessia técnica, em terreno rochoso, muita subidas e descidas, com mochila cargueira, água extra devido à restrição de pontos de captação de água, acampamento selvagem, possibilidade de neblina dificultando a navegação. Trekking com trecho de trilhas pouco visíveis, escalaminhada, passagem de buraco e uso de corda. Estar fisicamente bem preparado e contratar guia ou agência especializada são essenciais.

Na linha de cume desta travessia, é fantástico a vista dos vales e picos.

Da estrada já avistamos o contorno da serra, com o Marins a esquerda e o Itaguaré do outro lado. Subindo pelo bairro dos Marins, vemos os detalhes das montanhas escarpadas.

No alto dos Marins, temos um cenário amplo da travessia, com visão do Marinzinho, Pedra Redonda, Itaguaré e Serra Fina / Pedra da Mina.

No Pico Marinzinho, olhando para trás, a esquerda vemos o Marins, e olhando a frente, a continuação da travessia, com a Pedra Redonda começando aparecer em destaque.

Na lomba da Pedra Redonda, antes de descer para o acampamento, o Itaguaré foi iluminado pelo entardecer enquanto que o Vale do Paraíba ficou as margens da sombra da Mantiqueira.

No Pico do Itaguaré, entre nuvens passageiras, aguardando o pôr do sol, vimos o que ficou para trás, o Marins a esquerda, no centro a Pedra Redonda e a direita o Marinzinho.

Depois aguardamos a chegada de mais um espetacular pôr do sol.

Uma aventura em perfeito respeito a montanha. Este desafio exige bom planejamento e logística. Sugiro estar com bom preparo físico, formar um grupo pequeno, com espírito de equipe e focado no objetivo de cada dia. Não recomendo esta travessia se for o primeiro trekking ou o primeiro contato com a montanha.

Caminho de Mambucaba

A Origem

Mambucaba, de origem indígena, tem alguns significados. O que mais gosto é aquele que diz que era uma ‘passagem’, um caminho utilizado pelos índios que habitavam o litoral para subir a serra do mar até o planalto no Vale do Paraíba.

A História

Os tamoios utilizavam este caminho, as margens do rio, para coletar alimento e subir até o planalto. A partir do século XVI ocorreu a ocupação da região pelos portugueses. Entre final do século XVIII e XIX, o caminho foi rota não oficial do ouro, e o principal caminho exportador do café e importador dos escravos para o Vale do Paraíba. A decadência começou com o transporte do café por ferrovia a partir de 1872, e depois com a abolição da escravidão em 1888. O Parque Nacional da Serra da Bocaina foi criado em 1971.

Os Caminhos

As trilhas do ouro são inúmeras, saindo de outras localidades no alto da Serra da Bocaina. A mais famosa é o Caminho de Mambucaba, em três dias de caminhada, dentro do Parque Nacional Serra da Bocaina, de São José do Barreiro – São Paulo, até a vila de Mambucaba (Perequê), litoral de Angra dos Reis – Rio de Janeiro.

As Águas

As águas são incontáveis, em todos lugares brotam regatos, córregos e rios que se ajuntam ao maior, o rio Mambucaba. Ao longo dessa jornada, as quedas d’água são inúmeras e algumas delas receberam o nome de Santo Isidro, dos Mochileiros, das Posses e do Veado.  

Os Pernoites

Na travessia do Caminho de Mambucaba, na Serra da Bocaina, os pernoites podem ser hospedagem ou camping, com banho quente e refeições, no Tião da Barreirinha ou Dona Palmira, e Zé do Zico ou acampamento selvagem próximo a cachoeira do Veado.

Bocaina, do tupi-guarani, significa ‘caminhos para o alto’, em virtude da grande variação de altitude, mais de 2.000 m, desde o litoral até a serra. Na ‘Entrada do Parque’ e no ‘Alto da Jararaca’ são os pontos mais altos durante a travessia, em torno de 1.500 m de altitude.

O Cantagalo

São duas narrativas sobre a origem do nome do bairro rural Cantagalo (de Ouro) em São Bento do Sapucaí.

A que mais gosto conta a história que os primeiros moradores escutavam toda noite o canto de um galo. Então um jovem decidiu seguir este canto e chegou em uma queda d’água. Ele ficou tão maravilhado, pois o galo reluzia feito ouro aos pés da cachoeira, e quando se aproximou o galo desapareceu e nunca mais foi visto.

O Cantagalo se consolidou como um povoado a partir da construção da Igreja Santa Maria e do interesse de produtores rurais pelas terras. O bairro está 18 km distante do centrinho de São Bento do Sapucaí – São Paulo.   

Localizado na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, com altitude de 1.150 m. No alto da serra a 1.600 m, na Pedra da Onça avista-se as montanhas esverdeadas do Sul de Minas, o município de Paraisópolis e o Pico dos Dias onde se encontra o Laboratório Nacional de Astronomia.  

No Cantagalo mora a simplicidade. Um povo de boa prosa e bem receptivo, que logo percebemos, quando na estrada de terra, os homens a cavalo acenavam com as mãos para cada um que passasse por eles. No entorno do bairro, observamos as estradas de terra que chegam até as terras agrícolas, pastagens, matas nativa e trilhas.

Além do turismo rural, o bairro faz parte do roteiro do Caminho da Fé até Aparecida, onde os peregrinos percorrem a pé ou de bike, podendo pernoitar em hospedarias ou pousadas que servem refeições e apoio ao caminhante. Além disso, tem os roteiros de cicloturismo e trilhas.

Quanto as trilhas temos os circuitos de caminhadas até a Pedra da Onça e Pedra do Cruzeiro.

Local: São Bento do Sapucaí / SP.  

Turbine seus Sentidos

” Na natureza, somos mais vistos pelos bichos do que na realidade conseguimos vê-los.”

Os seres humanos dispõem de cinco sentidos (audição, olfato, paladar, tato, visão) e um sexto sentido chamado intuição. Quanto aos animais, nem todos têm igualmente apurado e desenvolvido estes sentidos, estando adaptados às necessidades que enfrentam no meio onde vivem. Por outro lado, alguns desenvolveram super sentidos.

Por exemplo, ao menor barulho na mata, um bando de Saguis-de-tufo-preto veio nos ver. Chegaram rápido saltando de galho em galho e pelos troncos. Mataram a curiosidade e foram embora. A boa surpresa foi avistar um adulto com seu filhote nas costas.

Neste caso, a corujinha-buraqueira chamou atenção pelos grandes olhos amarelos, prontos para enxergar em condições de baixa luminosidade e cem vezes mais que o ser humano. Além de uma ótima audição para localizar a presa apenas com este sentido.

” Pior que não avistar uma onça camuflada na mata, é não perceber a presença de uma serpente antes dela sentir a sua.”

Nesta situação, ela estava bem camuflada no caminho. A vimos ao mesmo tempo que ouvimos o som do seu chocalho. Era uma cascavel que agitou sua cauda com guizo, que é um aviso sonoro aos predadores, advertindo que estava pronta para se defender ou atacar.

Portanto, não importa em qual meio ambiente você esteja, turbine seus sentidos na potência máxima, porque os macaquinhos peraltas, as corujas bisbilhoteiras e as cobras peçonhentas estão soltas por aí.

Trilha Molhada – Serra dos Poncianos

Ela brota nas rochas como um filete de água cristalina. Desce a mata, e logo encontra a primeira queda, uns três metros de altura, uma ducha perfeita. Conhecida como cachoeira Imponente.

Ao redor, a selva densa se projeta em grandes e altas árvores. Em uma delas, é possível atravessar por dentro do tronco. Com sorte, avista-se os muriquis se dependurando por entre as árvores.

Mas chegar na origem, na nascente, não é fácil. É preciso superar os desníveis, as pedras, as águas e o jângal. A vantagem é poder voltar, com todo cuidado, se refrescando em alguns poços.

Praticamente uma trilha molhada. O desnível é menor em alguns trechos, mas a descida é constante e cansativa. Quando chegamos na cachoeira das Couves (foto acima), ela se projeta quinze metros abaixo.

Logo alcançamos uma cascata (foto acima) que não sei se tem nome. Em seguida, voltamos na trilha pela margem esquerda do rio. A partir deste trecho, do lado direito, aflora um imenso maciço rochoso.

Ao chegar na ponte de madeira, atravessamos novamente para o outro lado. Agora o rochoso está a esquerda. Nesse trecho saímos da mata passando por uma propriedade particular, o qual recebemos autorização de acesso.

Este pequeno rio é o Santo Antônio, que incansavelmente continua descendo a serra, até passar próximo a sede da APA São Francisco Xavier, para depois se encontrar com o rio do Peixe.

É uma trilha molhada, bate-volta, de meio dia de caminhada até a cachoeira das Couves. Se for até a cachoeira Imponente e nascente, será necessário o dia todo.

O Sagrado

” Nunca deixe de se interessar pelo sagrado “

Albert Einstein

” O pensamento é sagrado, o único território livre de patrulha, livre de julgamentos, livre de investigação, livre, livre, livre. Área de recreação da loucura. Espaço aberto para a imaginação. Paraíso inviolável.”

Martha Medeiros

Tucanaçu

Esse é o nome que mais gosto. Também popularmente conhecido como tucanuçu, tucano-grande, tucano-toco ou Ramphastos toco. É uma das mais de 40 espécies da família.

É o maior dos tucanos, com pouco mais de 0,5 m de comprimento e pesando mais de 0,5 kg. Uma belo pássaro. Plumagem negra do dorso ao ventre, cor avermelhada embaixo da cauda e de papo branco. Na ponta da maxila e bico possui uma mancha negra. Ao redor dos olhos possui uma pele amarela, sem plumas, e pálpebras azuladas.

O mais notável é o grande bico alaranjado, serrilhado para frente, de tecido ósseo esponjoso, formando uma estrutura airada, resistente, leve e termo reguladora para dissipação do calor. Curioso também como dormem. Os tucanos podem virar e elevar a cauda para a frente até tocar e esconder a cabeça para trás, camuflando o bico colorido.

É o único tucano que pode ser encontrado tanto em campo aberto (Cerrado), área urbana, como em floresta tropical úmida (Amazônia). Este foi avistado nas montanhas do Parque Estadual do Ibitipoca em Minas Gerais. Inclusive fósseis do Ramphastos toco no Pleistoceno, a 20.000 anos atrás, foram encontrados no município mineiro de Lagoa Santa.

Os tucanos são monogâmicos. O casal incuba os ovos e alimentam os filhotes. Se alimenta principalmente de frutos, insetos, pequenos lagartos e ovos. Não se surpreenda vê-los comento filhotes de outras aves. Por outro lado, seus predadores são aves de rapina, serpentes e macacos. Quando atacados, fazem muito barulho porque vivem em bando.

Como outras aves, o tucano também representa a liberdade, ou em sonho, um espírito aventureiro. Como arquétipo, ao interagir com ele, trará clareza e novas realizações.